Pesquisadora do LEBIOS Participa de Estudo Publicado na Revista Nature
Segundo
Putira, “esse reconhecimento valoriza o trabalho que estamos desenvolvendo
junto a vários pesquisadores e pesquisadoras da UFPA, USP e Barcelona na área
de genética humana, defendendo uma ciência construída com ética, protagonismo
indígena e compromisso com as nossas comunidades. Acredito que produzir
conhecimento também é garantir que a pesquisa respeite os povos indígenas,
dialogue com nossos territórios e gere benefícios reais para quem sempre foi
parte dessa história”.
Para
ela “como biomédica, pesquisadora e indígena mulher, ocupar esse espaço
representa muito mais do que uma conquista pessoal. É a demonstração de que a
ciência se fortalece quando incorpora diferentes perspectivas, valoriza a
diversidade e reconhece que os povos indígenas também produzem conhecimento,
inovação e soluções para os desafios da saúde”.
Putira
considera que esta publicação “é um reconhecimento e a certeza de que ele
pertence a todos que caminham comigo: minha família, meu povo, meus mestres,
meus colegas e todas as pessoas que acreditam em uma ciência mais justa,
inclusiva e comprometida com a vida. Que essa conquista inspire outras pessoas
indígenas a ocuparem os laboratórios, as universidades e todos os espaços onde
o conhecimento é produzido. O nosso lugar também é na ciência. E o futuro da
ciência será cada vez mais diverso, plural e indígena”.
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| Capa do Volume 653, Número 8113 da revista Nature. |
Conforme
descrito na revista, as Américas foram o último continente do mundo a ser
povoado por seres humanos. A Beríngia, uma ponte terrestre que surgiu no lugar
do Estreito de Bering durante a última era glacial, permitiu que os ancestrais
dos povos indígenas das Américas viajassem do nordeste da Ásia para a América
do Norte. Ao chegarem lá, dispersaram-se em direção ao sul, estabelecendo-se e
adaptando-se a ambientes drasticamente diferentes ao longo do caminho. No
entanto, muitas questões permanecem sobre essa dispersão, em grande parte
devido à escassez de dados genômicos de populações indígenas americanas. Na
edição desta semana, Tábita Hünemeier e seus colegas contribuem para suprir
essa lacuna com dados de sequenciamento de genoma completo de populações
indígenas de oito países latino-americanos, representando 28 famílias
linguísticas. Os pesquisadores combinaram esses dados com genomas de indivíduos
antigos e de populações atuais para investigar como os padrões de variação
genética evoluíram. Eles encontraram evidências de pelo menos três dispersões
distintas para a América do Sul, bem como de continuidade a longo prazo e
adaptação a ambientes diversos. Isso se reflete na imagem de capa, que ilustra
a diversidade genômica dos povos indígenas das Américas por meio de um cocar
indígena estilizado: as variações de cor representam a miscigenação genética
dentro das populações, e as três penas superiores simbolizam as principais
ondas migratórias que moldaram o povoamento da América do Sul.
O
excelente artigo completo está disponível em: https://www.nature.com/articles/s41586-026-10406-w
Nossos
parabéns a Putira e demais autoras e autores do artigo, que enriquece o
conhecimento mundial, valoriza a pesquisa brasileira e evidencia a importância
da produção acadêmica da UFPA e da Amazônia no cenário internacional.


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