Pesquisadora do LEBIOS Participa de Estudo Publicado na Revista Nature

 


A Dra. Eliene dos Santos Rodrigues Putira Sacuena, a primeira doutora indígena em bioantropologia do Brasil, da etnia Baré, egressa do PPGA e pesquisadora do LEBIOS, é uma das autoras do artigo “The evolutionary history and unique genetic diversity of Indigenous Americans”, publicado recentemente na revista Nature (Volume 653, Número 8113). O artigo foi o destaque de capa do volume desta que é uma das publicações científicas mais respeitadas do mundo.

Segundo Putira, “esse reconhecimento valoriza o trabalho que estamos desenvolvendo junto a vários pesquisadores e pesquisadoras da UFPA, USP e Barcelona na área de genética humana, defendendo uma ciência construída com ética, protagonismo indígena e compromisso com as nossas comunidades. Acredito que produzir conhecimento também é garantir que a pesquisa respeite os povos indígenas, dialogue com nossos territórios e gere benefícios reais para quem sempre foi parte dessa história”.

Para ela “como biomédica, pesquisadora e indígena mulher, ocupar esse espaço representa muito mais do que uma conquista pessoal. É a demonstração de que a ciência se fortalece quando incorpora diferentes perspectivas, valoriza a diversidade e reconhece que os povos indígenas também produzem conhecimento, inovação e soluções para os desafios da saúde”.

Putira considera que esta publicação “é um reconhecimento e a certeza de que ele pertence a todos que caminham comigo: minha família, meu povo, meus mestres, meus colegas e todas as pessoas que acreditam em uma ciência mais justa, inclusiva e comprometida com a vida. Que essa conquista inspire outras pessoas indígenas a ocuparem os laboratórios, as universidades e todos os espaços onde o conhecimento é produzido. O nosso lugar também é na ciência. E o futuro da ciência será cada vez mais diverso, plural e indígena”.

Capa do Volume 653, Número 8113 da revista Nature.

Conforme descrito na revista, as Américas foram o último continente do mundo a ser povoado por seres humanos. A Beríngia, uma ponte terrestre que surgiu no lugar do Estreito de Bering durante a última era glacial, permitiu que os ancestrais dos povos indígenas das Américas viajassem do nordeste da Ásia para a América do Norte. Ao chegarem lá, dispersaram-se em direção ao sul, estabelecendo-se e adaptando-se a ambientes drasticamente diferentes ao longo do caminho. No entanto, muitas questões permanecem sobre essa dispersão, em grande parte devido à escassez de dados genômicos de populações indígenas americanas. Na edição desta semana, Tábita Hünemeier e seus colegas contribuem para suprir essa lacuna com dados de sequenciamento de genoma completo de populações indígenas de oito países latino-americanos, representando 28 famílias linguísticas. Os pesquisadores combinaram esses dados com genomas de indivíduos antigos e de populações atuais para investigar como os padrões de variação genética evoluíram. Eles encontraram evidências de pelo menos três dispersões distintas para a América do Sul, bem como de continuidade a longo prazo e adaptação a ambientes diversos. Isso se reflete na imagem de capa, que ilustra a diversidade genômica dos povos indígenas das Américas por meio de um cocar indígena estilizado: as variações de cor representam a miscigenação genética dentro das populações, e as três penas superiores simbolizam as principais ondas migratórias que moldaram o povoamento da América do Sul.

O excelente artigo completo está disponível em: https://www.nature.com/articles/s41586-026-10406-w

Nossos parabéns a Putira e demais autoras e autores do artigo, que enriquece o conhecimento mundial, valoriza a pesquisa brasileira e evidencia a importância da produção acadêmica da UFPA e da Amazônia no cenário internacional.  

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