sábado, 13 de maio de 2017

Liberdade Acadêmica está em Risco no Brasil, firmam Antropólogos.

Associações nacionais e internacionais de antropologia alertam para criminalização da pesquisa básica sobre populações tradicionais, indígenas e quilombolas no Brasil

No ISA
Associações científicas antropológicas, nacionais e internacionais, receberam com profunda preocupação e alarme os resultados, divulgados este mês, dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Funai e Incra instaurada em 2015 na Câmara dos Deputados, encerrada sem conclusões e reaberta em 2016, sob a liderança dos deputados ruralistas Alceu Moreira (PMDB/RS), Luiz Carlos Heinze (PP/RS) e Nilson Leitão (PSDB/MT). Com mais de 3000 páginas, o relatório final pede o indiciamento de 88 pessoas em cinco estados (Bahia, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) entre indígenas, quilombolas, assentados da reforma agrária, ativistas, procuradores, políticos, além de antropólogos e outros pesquisadores que atuaram em processos de reconhecimento de direitos territoriais.
A direção executiva da Associação Americana de Antropologia (AAA) enviou nesta terça (9/5) uma carta a autoridades brasileiras pedindo esclarecimentos e expressando “profunda preocupação” com os resultados apresentados. “Estamos alarmados que a pesquisa antropológica básica no Brasil, especificamente a pesquisa documentando povos indígenas e quilombolas, seja vista como ‘criminosa’ pela Comissão”. Em tom diplomático, o documento sugere haver, no mínimo, “um mal-entendido sobre a natureza da pesquisa antropológica” e destaca que “a comunidade antropológica brasileira é internacionalmente respeitada pela sua pesquisa científica e sua defesa dos direitos humanos”. A associação norte-americana – maior organização de antropologia profissional do mundo fundada em 1902 – lembra ainda que a “a liberdade, a liberdade acadêmica, o respeito à diversidade e ao pluralismo, assim como os direitos culturais e o direito à terra, são valores protegidos pela constituição brasileira”.
A carta da AAA reforça o conteúdo de uma manifestação semelhante também enviada a autoridades, dias antes (5/5), pela Salsa (Society for the Anthropology of Lowland South America) – a maior associação internacional de especialistas em antropologia das terras baixas sul-americanas do mundo. Para a Salsa, a decisão da CPI de criminalizar o trabalho que antropólogos e outros profissionais desenvolvem entre comunidades tradicionais, “só pode ser interpretada como uma estratégia para intimidar e interromper o trabalho de profissionais altamente respeitados”. O documento destaca a preocupação da entidade com a independência acadêmica e a liberdade de pesquisa no Brasil, além de reiterar a qualidade dos trabalhos desenvolvidos pela comunidade antropológica brasileira: “estudiosos de todo o mundo são sabedores da alta qualidade da pesquisa científica produzida pelos antropólogos brasileiros”.
Reforçando o coro, o Diário de Notícias Lusa, de Lisboa, divulgou também nesta terça (9/5) uma entrevista com a antropóloga portuguesa Suzana de Matos Viegas, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, indiciada por sua atuação nos estudos de identificação e delimitação da Terra Indígena Tupinambá de Olivença na Bahia, aprovados pela Funai em 2009. Para Viegas, as acusações não só são falsas, como evidenciam que seus proponentes estão “contra a existência da lei e não (preocupados) com o rigor da sua aplicação”. “Eles (CPI) começam a acusar a própria Associação Brasileira de Antropologia (ABA) de ser uma associação sem fins lucrativos para fins ideológicos”. Para ela, o relatório final da CPI é “um documento contra os direitos humanos, contra a legislação que o Brasil adotou desde que é uma nação democrática, com muitas afirmações racistas, contra a legislação internacional”.
Imagem: Teseia Panará no TRF em Brasília, no dia da decisão inédita que deu ganho de causa a uma ação indenizatória pelos danos pós-contato sofridos por seu povo| Orlando Brito.
Estas manifestações da comunidade internacional se somam também a uma nota divulgada em 8/5 nas redes sociais pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional (UFRJ). Além de prestar solidariedade às dezenas de indiciados – dentre os quais alunos e ex-alunos do programa – o documento repudia a “tentativa de criminalização da prática da perícia antropológica” e reitera que “toda a ação dos pesquisadores e pesquisadoras acusado/as tem se feito à luz da legislação vigente”.
A nota relembra ainda que a “perícia antropológica [é] apenas uma pequena parte de cunho técnico-científico de processos jurídico-administrativos em que o amplo direito do contraditório está assegurado”. Argumentam os antropólogos do Museu Nacional que “as acusações revelam-se inteiramente infundadas e mesmo fraudulentas” e tem por objetivo “inviabilizar o exercício da atividade de pesquisa daqueles e daquelas que estão sendo injustamente acusados”.

Na mesma onda de repúdio ao relatório da CPI Funai/Incra, uma petição foi divulgada (9/5) pela Salsa em conjunto com a Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e o Groupe International de Travail pour les Peoples Autochtones (GITPA). No documento, “professores, intelectuais e membros do mundo acadêmico” manifestam seu “repúdio veemente à política anti-indígena do Estado brasileiro” e sua “preocupação em relação a uma política que já tem consequências genocidas em estados como o Mato Grosso do Sul, Bahia e Maranhão”.
13 DE MAIO - DIA NACIONAL DE LUTA CONTRA O RACISMO! 

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Hominídeo da África do Sul é muito mais novo do que se pensava

Cientistas se surpreendem com datação de 'Homo naledi', descoberto em 2013; fósseis têm cerca de 280 mil anos, dez vezes menos que o estimado com base em seus traços primitivos
Fábio de Castro, O Estado de S.Paulo
09 Maio 2017 | 12h00

SÃO PAULO - Depois de muita dificuldade, um grupo de cientistas finalmente realizou a datação de fósseis do Homo naledi, uma espécie extinta do gênero Homo, linhagem que culminou com o aparecimento dos humanos modernos. O resultado foi surpreendente: os fósseis têm entre 335 mil e 236 mil anos e, portanto, são pelo menos 2 milhões de anos mais novos do que indicavam as estimativas anteriores dos pesquisadores.

Em 2013, os fósseis do Homo naledi - mais de 1550 fragmentos de 15 indivíduos - foram descobertos na caverna Rising Star, na África do Sul. Em agosto de 2015, cientistas os descreveram pela primeira vez. 

Obter a datação dos espécimes era uma tarefa extremamente difícil, mas, por conta de diveras características primitivas, os pesquisadores acreditavam que eles haviam vivido há cerca de 2,5 milhões de anos - um período intermediário entre os últimos Australopithecus e os mais antigos membros do gênero Homo, como o Homo habilis.

Agora, em um novo estudo publicado nesta terça-feira, 9, na revista científica eLife, os pesquisadores finalmente revelaram que os espécimes de Homo naledi descobertos na caverna viveram há no máximo 335 mil anos atrás.

Segundo os autores, isso coloca o hominídeo - que pode ter sido extinto bem mais tarde - como provável contemporâneo do Homo sapiens, que surgiu há cerca de 200 mil anos. 


De acordo com os pesquisadores, é a primeira vez que se tem evidências de que uma outra espécie de hominídeo conviveu lado a lado com os humanos na África, onde surgiu o gênero. O Homo neanderthalensis chegou a conviver com o Homo sapiens, mas bem mais tarde, na Europa e na Ásia ocidental.
Crânio de Neo, um dos três esqueletos de 'Homo naledi' encontrados na Câmara Lesedi, uma nova galeria descoberta  na caverna Rising Star, na África do Sul Foto: Wits University/John Hawks
Além de descrever a difícil tarefa de datação dos fósseis, o estudo revela que a caverna Rising Star é na realidade um sistema de cavernas maior do que se pensava - e que ali foi descoberta uma nova galeria com mais os fósseis de três novos indivíduos da espécie Homo naledi - um deles de uma criança. 

Um dos fósseis de adultos encontrados na nova câmara da caverna - batizado de Neo - está excepcionalmente completo, de acordo com os autores do estudo, que foram liderados pelo antropólogo John Hawks, da Universidade de Wisconsin-Madison (Estados Unidos) e pelo paleoantropólogo Lee Berger, da Univesidade Witwatersrand (África do Sul).
A nova galeria foi batizada de Câmara Lesedi e fica a cerca de 100 metros da Câmara Dinaledi, onde haviam sido encontrados os fósseis de 15 indivíduos em 2013. O acesso à nova câmara é extremamente difícil: para escavá-la, os paleontólogos precisaram rastejar, escalar e se espremer em túneis claustrofóbicos e escuros.
Segundo Hawks, o fato de ter encontrado mais indivíduos em uma câmara de difícil acesso leva a crer que o Homo naledi tenha escondido seus mortos - um comportamento surpreendente que sugere grande inteligência e, possivelmente, indica as primeiras centelhas de uma cultura.

"Isso provavelmente dá mais peso à hipótese de que o Homo naledi usava locais escuros e remotos para esconder seus mortos. As chances de algo semelhante ter ocorrido mais de uma vez por acaso são mínimas", disse Hawks. De acordo com o estudo, estima-se que a criança encontrada entre os três novos espécimes de Homo naledi tenha morrido com menos de cinco anos de idade. Ela é representada por ossos da cabeça e do corpo. Um dos adultos foi identificado apenas por uma mandíbula e pelos ossos das pernas.
O esqueleto do terceiro indivíduo, apelidado de Neo ("dádiva", no idioma Sesotho), é notavelmente completo. O crânio foi totalmente reconstruído, fornecendo um retrato muito mais completo da espécie, segundo os pesquisadores.
"O esqueleto de Neo é um dos mais completos descobertos até hoje. Tecnicamente, é mais completo que a famosa Lucy (fóssil de Australopithecus afarensis, que viveu há 3,1 milhões de anos e foi desenterrada na Etiópia em 1974), considerando a preservação do crânio e da mandíbula", disse Berger.
O crânio do novo esqueleto contém a maior parte da face, incluindo os delicados ossos da região interna dos olhos e do nariz, segundo Hawks, que é especialista em hominídeos primitivos.
"Alguns dos novos ossos adicionam detalhes novos em relação a tudo o que já vimos antes. O esqueleto de Neo tem uma clavícula completa e um fêmur quase completo. Isso ajuda a confirmar o que sabíamos sobre o tamanho e a estatura do Homo naledi: que ele caminhava de forma tão eficiente como subia em árvores. As vértebras estão maravilhosamente preservadas e são singulares - elas têm um formato que só havíamos encontrado em Neanderthais", explicou Hawks.

Combinados, os esqueletos do Homo naledi dão à ciência o registro mais completo até hoje de uma espécie de hominídeo, excetuando-se o Homo sapiens e o Homo neanderthalensis.
"Com os novos fósseis da Câmara Lesedi, agora temos cerca de 2 mil fragmentos do Homo naledi, representando os esqueletos de pelo menos 18 indivíduos, no total. Há mais espécimes de Homo naledi do que de qualquer outra espécie extinta de hominídeos, exceto os Neanderthais", afirmou Hawks.

A ideia de que o Homo naledi escondia os cadáveres de seus mortos em câmaras subterrâneas de difícil acesso só tem paralelo entre os Neanderthais, segundo o cientista. Em uma caverna profunda da Espanha, conhecida como Sima de los Huesos, há evidências de que, há 400 mil anos, os Neanderthais escondiam os corpos de seus companheiros mortos.

"O que há de mais provocativo em relação ao Homo naledi é que os cérebros dessas criaturas tinham um terço do tamanho dos nossos. Eles claramente não são humanos, embora pareçam compartilhar um aspecto muito profundo do nosso comportamento, que é um cuidado com outros indivíduos, que continua a após a morte deles. Parece-me que estamos começando a ver as raízes mais profundas das práticas culturais humanas", afirmou Hawks.

Acesso complicado. Membro da equipe que descobriu os primeiros fósseis do Homo naledi na caverna Rising Star, a paleoantropóloga canadanse Marina Elliott, da Univesidade Witwatersrand fez parte também da equipe de exploradores que descobriu a Câmara Lesedi.
"Acessar a Câmara Lesedi é ainda ligeiramente mais fácil que chegar à Câmara Dinaledi. Depois de se espremer por uma passagem de cerca de 25 centímetros, você tem que subir e descer por passagens verticais antes de chegar à câmara. Embora o acesso seja um pouco mais fácil, trabalhar na Câmara Lesedi é mais difícil, por causa dos apertados espaços ali dentro", contou Marina.
Para Hawks, dizer que entrar na Câmara Lesedi é "um pouco mais fácil" que penetrar na Câmara Dinaledi é algo muito relativo. Segundo ele, Lee Berger ficou preso na Câmara Lesedi em 2014 e precisou ser puxado para fora com cordas atadas a seus pulsos. 
"Eu nunca entrei em nenhuma das duas câmaras - e nem vou entrar. Eu assisti quando Lee ficou entalado na passagem por quase uma hora, tentando sair de um estreito gargalo subterrâneo na Câmara Lesedi", contou Hawks. 



Reconstrução de hominídeos (OBS: Na page existem 15 hominídeos no total, link abaixo)
Datação difícil. Além da dificuldade para trabalhar nas cavernas, os cientistas tiveram que superar grandes desafios para fazer a datação dos espécimes ali encontrados. A equipe utilizou uma combinação de técnicas de datação por luminescência opticamente estimulada com Urânio e Tório, com técnicas de análise paleomagnética para estabelecer como os sedimentos se relacionam à escala temporal geológica na Câmara Dinaledi.

Para conseguir uma avaliação final, eles realizaram a datação direta dos dentes do Homo naledi, utilizando uma combinação de datação por séries radioativas de urânio (U-series) e datação por ressonância de spin eletrônico (ESR).

"É claro que ficamos surpresos com uma datação tão recente, mas nós percebemos que todas as formações geológicas na câmara eram novas. Os resultados de U-series e de ESR acabaram sendo menos surpreendentes no fim do trabalho", contou Eric Roberts, da Universidade James Cook (Austrália) e da Universidade Witwatersrand, um dos poucos geólogos que já entraram na Câmara Dinaledi - a rampa de entrada tem uma passagem de apenas 18 centímetros de largura.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Bioantropologia do PPGA com Participação/Prêmio Internacional na Human Biology Association 2017 e Doutorado Sanduíche USF


O Prof. Dr. Hilton P Silva e a Doutoranda Ariana Kelly L S da Silva, ambos do Programa de Pós Graduação em Antropologia, Universidade Federal do Pará - PPGA/UFPA, participaram da 42st Meeting of the Human Biology Association - HBA 2017, que ocorreu nos últimos dias 19 e 20 de Abril na cidade de New Orleans, Lousiana, EUA. Na ocasião, Hilton apresentou uma palestra sobre a saúde de populações quilombolas na Amazônia, apresentação que fez parte da programação da HBA. um dos eventos mais importantes de pesquisas sobre Biologia Humana do mundo. 

Prof. Dr. Hilton P Silva durante palestra na HBA 2017
A discente de doutorado do PPGA, Ariana da Silva, participou da sessão de pôsteres do evento, com o tema "Sickle Cell Anemia, Genetic Ancestry and Public Policy in Amazonia", de Silva, AK; Silva, HP; Cardoso-Costa; GL, Guerreiro; JF, cujo trabalho foi premiado com o International Travel Award 2017 (Prêmio Internacional de Viagem), um reconhecimento gratificante para quem faz ciência no Brasil e de extremo valor à UFPA/PPGA e à pesquisa bioantropológica na Amazônia. O resumo segue abaixo:

Sickle Cell Anemia, Genetic Ancestry and Public Policy in Amazonia

Silva, AK; Silva, HP; Cardoso-Costa; GL, Guerreiro; JF - UFPA – PPGA – Amazônia – Brasil

The prevalence of Sickle Cell Anemia (SCA) in the State of Pará is approximately 1%, demonstrating a considerable African presence in this region traditionally known for its Native American populations. This study investigated autosomal DNA diversity in a sample of 60 individuals diagnosed with SCA in Pará, Amazonia, Brazil. The frequencies obtained for ancestral aDNA where: 40.9% European, 30.2% Native American and 28.8% African. In this sample most individuals did not express what would be considered "typical" black phenotypes, but consider themselves "brown", as most Brazilians, and genetically present a higher frequency of European aDNA, indicating the complex historical composition of the Brazilian population. In this random sample of SCA patients, 66 % have a low SES, 85% depend exclusively of the public health system (SUS), and 72% of the participants indicate having suffered some form of discrimination. The relationship between frequency of aDNA ancestry and severity of SCD is under review. The high prevalence of SCA in the State and in Brazil (3,500 children are born each year with SCA), the low SES of the patients, and the presence of racism in the public health system calls attention to the need for implementation of adequate public policies, such as early genetic screening and social support, geared specifically to the needs of this population.

Keywords: Genomic Ancestry; Race; Racism; Brazil.

A discente de doutorado Ariana K L S da Silva durante apresentação de pôster
Ariana e Hilton durante apresentação de pôster na HBA 2017
A HBA 2017 contou também com um almoço de adesão aos premiados e um jantar a todos participantes, no Westin Canal Street Hotel, com as especialidades da cozinha de Louisiana, EUA.

Hilton e Ariana durante o almoço e o jantar de adesão na HBA 2017
A Drª Ligia Filgueiras, recém egressa do PPGA;UFPA também teve o trabalho aceito na HBA 2017, sendo representada por Hilton e Ariana durante a apresentação da sessão de pôsteres.

Pôster de Lígia Filgueiras - HBA 2017
Outra informação relevante é que a Doutoranda Ariana  K L S da Silva foi aprovada no Doutorado Sanduíche na University of South Florida, Tampa. EUA (USF) e será orientada pela Prof.ª Dr.ª Lorena Madrigal, onde desenvolverá um estágio de 06 meses no exterior como Scholarship com o intuito de continuar e aprimorar os seus conhecimentos adquiridos no doutorado no PPGA/UFPA com a pesquisa sobre Doença Falciforme e Ancestralidade Genômica na Amazônia. A bolsa de estudos será patrocinada pela CAPES e deve iniciar em Maio 2017.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Palestra do LEBIOS no ICB/UFPA e Posse no Instituto Histórico e Geográfico do Pará


Palestra sobre Bioantropologia no ICB/UFPA

Nesta terça-feira, dia 11 de abril, às 9h00, o coordenador do LEBIOS, Prof. Dr. Hilton Pereira da Silva estará proferindo uma  palestra sobre Bioantropologia, como parte das atividades da Semana do Calouro de Biologia, no Auditório Paulo Mendes (Prédio Principal do ICB). A palestra versará sobre a história, os fundamentos teóricos da disciplina e as áreas de atuação dos bioantropólogos, é aberta e gratuita a todos os interessados. 


Posse no IHGP


Na última quarta-feira, dia 5 de abril, o Professor Dr. Hilton P Silva foi solenemente empossado como Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Pará (IHGP) na cadeira de número 58, que tem como Patrono o  Geógrafo e Humanista Eidorfe Moreira. A saudação ao novo membro do Instituto foi feita pelo Prof. Dr. João Márcio Palheta e a cerimônia contou com a presença de diversos acadêmicos da UFPA e estudantes do LEBIOS.

Prof. Dr. Hilton P Silva durante a posse no IHGP e estudantes do LEBIOS

quinta-feira, 30 de março de 2017

Convite: Qualificação de Doutorado Santiago Wolnei Ferreira Guimarães


Exame de Qualificação de Doutorado de Bioantropologia

Santiago Wolnei Ferreira Guimarães
Candidato

Seriam os caracteres métricos cranianos bons indicadores de espécies para o início do gênero Homo?
Título do trabalho

Banca examinadora

Prof. Dr. Mark Hubbe- OHIO STATE UNIVERSITY, examinador externo

Prof. Dr. Diogo Menezes Costa- PPGA/UFPA, examinador interno

Prof. Dr. Tiago Pedro Ferreira Tomé – PPGA/UFPA, examinador interno

Profª. Drª. Greice de Lemos Cardoso- ICB/UFPA, examinadora externa suplente

Profª. Drª. Ândrea Kely Campos R. dos Santos – PPGA/UFPA, examinadora interna suplente

Prof. Dr. Hilton Pereira da Silva – PPGA/UFPA, orientador e presidente

Data/horário: 30 de março de 2017 – 16h


Local: Sala de Audiovisual do LAANF

segunda-feira, 20 de março de 2017

Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial - 21 de Março


O Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1963, e é celebrado sempre no dia 21 de março, em referência ao Massacre de Sharpeville, na África do Sul. Neste dia, em 1960, mais de 20.000 pessoas faziam um protesto contra a “Lei do Passe”, que restringia as áreas por onde os negros (maioria da população do país) podiam circular nas cidades. A polícia, agindo a mando do governo racista do Apartheid, atacou os manifestantes e 69 pessoas foram mortas e outras 186 ficaram feridas. Em memória ao massacre, a Assembleia Geral da ONU consagrou a data à luta contra o racismo e todas as formas de discriminação.

Segundo as Nações Unidas, discriminação racial significa:

"Qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos, e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública".

Embora a Bioantropologia, há muito, tenha demonstrado que não existem “raças” humanas biologicamente distintas, a discriminação racial continua a existir, é praticada no cotidiano e sentida na pele por muitos brasileiros e estrangeiros que aqui moram. É necessário (re)conhecer todas as suas formas, as vezes sutis, as vezes abertas, para que se possa combatê-la onde e como ela se manifeste. Na sociedade em geral, bem como na Universidade, a discriminação sociorracial está presente, e dificulta enormemente o cotidiano de todos e todas os que dela são vítimas.

O Artigo 1º da Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial afirma que:

A discriminação entre seres humanos com base na raça, cor ou origem étnica constitui um atentado à dignidade humana e deverá ser condenada enquanto negação dos princípios da Carta das Nações Unidas, bem como enquanto violação dos direitos humanos e liberdades fundamentais proclamados na Declaração Universal dos Direitos do Homem, obstáculo às relações amistosas e pacíficas entre as nações e fato susceptível de perturbar a paz e segurança entre os povos.

O Brasil é um dos signatários da Declaração da ONU e também da Declaração de Durban (África do Sul), resultante da III Conferência Mundial Contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas, no entanto, muito ainda precisa ser feito para colocar em prática os seus mandatos.

Texto: Hilton P Silva - Coordenador da Casa Brasil-África - UFPA.




sexta-feira, 10 de março de 2017

DNA de placa nos dentes revela que Neanderthal usava 'aspirina'

Abscesso dentário mostra que há 40 mil anos eles já usavam plantas medicinais como antibióticos e analgésicos; estudo também mostra que Neanderthais da Bélgica comiam rinocerontes, enquanto os da Espanha eram vegetarianos.
Fábio de Castro
O Estado de S. Paulo
08 Março 2017 | 16h17

Depois de estudar geneticamente a placa bacteriana encontrada nos dentes de homens de Neanderthal, um grupo de cientistas conseguiu desvendar novos aspectos sobre a dieta e o comportamento dos mais próximos parentes extintos dos humanos - incluindo um surpreendente conhecimento sobre plantas medicinais. 
Mandíbula superior de um homem de Neanderthal encontrada em caverna de El Sidrón, na Espanha; este indivíduo apresentava um abcesso dentário em um dos molares e a análise das bactérias ali depositadas revelou que ele também tinha uma doença gastrointestinal, cujos sintomas eram tratados com álamo - uma fonte natural do princípio ativo da aspirina - e vegetação com mofos que incluíam o fungo Penicillium, um antibiótico natural. Foto: Paleoanthropology Group MNCN-CSIC.
Além de diferenças regionais na dieta dos Neanderthais, com níveis distintos de consumo de carne, a pesquisa revelou que alguns deles se medicavam com álamo, uma planta que contém ácido salicílico - o princípio ativo da aspirina - e com Penicillium, um gênero de fungo antibiótico.
O novo estudo, publicado nesta quarta-feira, 8, na revista Nature, foi realizado por uma equipe internacional liderada por cientistas da Universidade de Adelaide (Austrália) e da Universidade de Liverpool (Reino Unido).
De acordo com a autora principal do artigo, Laura Weyrich, estudos anteriores sobre a dieta dos Neanderthais já indicavam que sua variedade dependia da disponibilidade local de alimentos. Mas essas pesquisas forneciam poucos dados sobre animais e plantas que eles consumiam.
"As placas bacterianas dos dentes confinam os micro-organismos que viviam na boca e nos tratos respiratórios e gastrointestinais - além de restos de comida presos nos dentes -, preservando seu DNA por milhares de anos", disse Laura, que é pesquisadora do Centro Australiano de DNA Antigo  (ACAD, na sigla em inglês) da Universidade de Adelaide.
"A análise genética do DNA pregado na placa dentária é uma janela única para observarmos o estilo de vida Neanderthal e nos revela novos detalhes sobre o que eles comiam, qual o estado de saúde deles e qual o impacto do ambiente em seus comportamentos", afirmou a pesquisadora.
Vegetarianos e carnívoros. Os cientistas analisaram e compararam amostras de placas bacterianas dentárias de quatro homens de Neanderthal encontrados nas cavernas de Spy, na Bélgica e nas cavernas de El Sidrón, na Espanha. As idades das quatro amostras variam entre 42 mil anos e 50 mil anos. Segundo os autores, são as mais antigas placas dentárias já analisadas geneticamente.

"Descobrimos que os Neanderthais da Bélgica comiam carne de rinoceronte e de ovelhas selvagens, além de cogumelos. Na Espanha, porém, não há nenhum vestígio de consumo de carne, apenas de uma dieta totalmente vegetariana, incluindo pinhões, musgo, cogumelos e cascas de árvore", disse Alan Cooper, também autor do artigo e pesquisador do ACAD.
Paleontólogas trabalham na caverna Túnel de Ossos, em El Sidrón, na Espanha, onde foram encontrados 12 espécimes de homens de Neanderthal que viveram há cerca de 49 mil anos. Foto: Paleoanthropology Group MNCN-CSIC/Antonio Rosas.

Uma das descobertas mais surpreendentes, segundo os cientistas, ocorreu quando eles identificaram um homem de Neanderthal de El Sidrón, que sofria de um abscesso dental visível na mandíbula.
Antibiótico e analgésico. "A análise da placa mostrou que ele também sofria com um parasita intestinal que causava diarreia aguda. Claramente ele estava bem doente. Descobrimos que ele comia álamo, que contém o analgésico ácido salicílico - o ingrediente ativo da aspirina. Também detectamos o uso de Penicillium - um bolor antibiótico natural -, que não foi encontrado nos outros espécimes", contou Cooper.
Segundo Cooper, aparentemente os homens de Neanderthal se automedicavam e possuíam um bom conhecimento sobre plantas medicinais e sobre suas diversas propriedades analgésicas e anti-inflamatórias.
"O uso de antibióticos seria muito surpreendente, levando em conta que eles viveram mais de 40 mil anos antes do desenvolvimento da penicilina. Com certeza nossas descobertas contrastam muito com a visão simplista que a imaginação popular tem dos nossos mais antigos parentes", disse Cooper.