domingo, 7 de janeiro de 2018

O DNA de uma menina reescreve a história dos primeiros americanos

Restos de 11.500 anos encontrados no Alasca pertencem a um povo até agora desconhecido


Descoberta dos restos arqueológicos da menina em Upward Sun River, no Alasca
Uma menina está reescrevendo boa parte da história dos primeiros americanos. Seus restos, encontrados no Alasca, têm cerca de 11.500 anos. Um grupo de pesquisadores conseguiu obter seu genoma completo. Ao compará-lo com o de nativos americanos, tanto ancestrais como atuais, concluíram que pertencia a um povo desconhecido até agora. Mais importante: os genes da garota indicam que os primeiros americanos são mais antigos e vieram da Ásia antes do que se pensava. 

A teoria mais aceita sobre os primeiros americanos é que atravessaram da Ásia para a América pela Beríngia, uma ponte terrestre que ficou submersa no final do último período glacial. O que não está tão claro é se aqueles primeiros colonos pertenciam ao mesmo grupo ou se vieram em diversas ondas migratórias. Tampouco se sabe ao certo quando atravessaram e o que aconteceu nos milênios seguintes até que se formou a enorme diversidade genética, linguística e cultural dos atuais nativos americanos.

“Em 2015, mostramos que os ancestrais dos nativos americanos entraram numa única onda vindos da Sibéria e que foi na América que se dividiram em dois grandes ramos”, afirma o pesquisador Víctor Moreno Mayar, do Museu de História Natural da Dinamarca, especialista em paleogenética. O trabalho, publicado na revista Science, apontava que a divisão americana ocorreu há cerca de 13.000 anos, quando os gelos do último período glacial estavam em retirada. Agora, um novo estudo liderado por Moreno revela que a menina do Alasca era uma nativa americana, “mas seu DNA nos diz que fazia parte de uma população externa, diferente dos outros dois ramos”.

Os pesquisadores puderam sequenciar o genoma completo da menina

A menina, batizada de Xach'itee'aanenh T'eede Gaay (Menina-Criança do Nascer do Sol), só viveu entre seis e 12 semanas e foi enterrada nos arredores do rio Upward Sun, na parte central do Alasca. O sítio arqueológico já deu alguns frutos, como o registro mais antigo do consumo de salmão em solo americano. Sua datação por radiocarbono a situa como um dos fósseis humanos mais antigos localizados mais ao norte. Mas são os seus genes que mais alegrias deram à ciência. Como os cientistas contam com os dados de todo o seu genoma, seu DNA se transforma num ponto de referência muito robusto na hora de compará-lo com o de outras populações do passado.

Considerando mecanismos de diferenciação como a deriva genética, o fluxo de genes entre grupos e a taxa de mutações, os pesquisadores conseguiram um relógio biológico muito preciso, cujos resultados foram publicados na revista Nature. Assim, a equipe confirmou que os ancestrais dos primeiros americanos começaram a se diferenciar de outros povos asiáticos há mais de 36.000 anos. Doze milênios depois, o isolamento era completo. E se fortaleceu porque foi quando a era do gelo mais recente atingiu o seu máximo glacial. Poucas regiões do Hemisfério Norte ficaram livres de gelo e com presença humana. “A menina nos diz também que, há 20.000 anos, os nativos americanos já eram americanos”, afirma Moreno. Estivessem onde estivessem (na Ásia, América ou entre os dois continentes), naquele momento já eram geneticamente diferentes dos asiáticos.

“O que não sabemos é onde se originou a linhagem americana”, reconhece o cientista. Mas a Menina-Criança do Nascer do Sol volta a dar pistas. Seus genes mostram que, depois de sua separação inicial, seus antepassados mantiveram contato (houve fluxo genético) com as outras populações americanas. E para isso deviam estar na mesma região, provavelmente ao norte da gigantesca camada de gelo que cobria quase todo o atual Canadá e boa parte dos EUA. Na época, a corrente do Pacífico Norte fazia do Alasca um lugar mais habitável e livre de gelo perpétuo.

Ilustração de como seria o povoado da Menina-Criança do Nascer do Sol. ERIC S. CARLSON Y BEN POTTER
Sobre a relevância do estudo, Eske Willerslev, pesquisador das universidades Cambridge (Reino Unido) e Copenhague (Dinamarca) e coautor do trabalho, afirma: “Foi possível mostrar que [os primeiros americanos] provavelmente entraram no Alasca há pouco mais de 20.000 anos. É a primeira vez que temos uma evidência genética direta de que todos os nativos americanos podem ser rastreados até uma única população de origem, por meio de uma única migração fundadora.”

As palavras de Willerslev, assim como toda a pesquisa, confirmam parte da conhecida hipótese do isolamento na Beríngia. Postulada em 2007, ela sustenta que os ancestrais dos primeiros americanos se isolaram de suas origens durante milênios e que aquela população fundacional encontrou refúgio numa zona desconhecida situada no encontro entre a Ásia e a América, hoje submersa sob o Estreito de Bering. O estudo da Nature confirma o isolamento durante milênios, mas não onde ele ocorreu.

“Onde viveu essa população isolada de ancestrais nativos americanos há mais de 15.000 anos? A questão se complica pelo fato de que esse período de isolamento ocorreu durante o último máximo glacial, quando as condições eram tão frias e secas no Hemisfério Norte que as populações humanas de muitos lugares, como a Sibéria, tiveram que abandoná-las devido ao clima extremo”, recorda o cientista John F. Hoffecker, do Instituto de Pesquisa Ártica e Alpina da Universidade do Colorado em Boulder (EUA).

Para Hoffecker, que não participou do estudo atual, a pesquisa, embora relevante, peca por não reconhecer a existência de pistas sobre a presença humana em diversas partes da Beríngia muito anteriores (de 30.000 a 25.000 anos atrás). “Como não temos DNA antigo dessas zonas, não sabemos se eram na verdade nativos americanos ancestrais, mas não é ilógico supor que fossem e, portanto, que se tratasse da população que ficou isolada de sua origem asiática na Beríngia durante o último máximo glacial”, afirma.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Rosto de rainha peruana que viveu há 1,2 mil anos é reconstituído

Encontrado na costa do Peru, em 2012, crânio de rainha foi escaneado e passou por um processo de reconstituição para estimar as características de sua face.



RECONSTITUIÇÃO DA RAINHA HUARMEY (FOTO: OSCAR NILSSON/DIVULGAÇÃO)

Eis a face da nobreza peruana. Literalmente: após ser encontrada em 2012, a ossada de uma mulher conhecida como Rainha Huarmey foi analisada e passou por um processo de reconstituição facial.

Após imprimir o modelo de seu crânio em uma impressora 3D, os arqueólogos Miłosz Giersz e Oscar Nilsson utilizaram recursos artísticos para estimar características como a flacidez da pele e dos músculos da antiga monarca, que viveu há 1,2 mil anos.

De acordo com reportagem publicada pela National Geographic, para realizar a reconstituição, Nilsson utilizou fotografias de populações indígenas que vivem em regiões próximas ao local de onde os restos mortais de Huarmey foi encontrada, na região costeira do Peru. Foram necessários mais de 220 horas de trabalho para a conclusão do trabalho artístico de modelar o rosto da mulher.

Os arqueólogos localizaram a ossada junto dos restos mortais de outras 57 mulheres que provavelmente pertenceram à aristocracia da cultura Wari, que governou parte do território que atualmente compreende o Peru séculos antes do Império Inca. No sítio arqueológico, os pesquisadores encontraram diferentes itens de luxo, como jóias, brincos de ouro, taças de prata e um machado de cobre destinado a cerimônias.

As análises da ossada da Rainha Huarmey indicam que ela morreu aos 60 anos de idade e passou a maior parte de sua vida sentada — o que reforça a ideia de que a cultura Wari apresentava um processo de diferenciação de classes dentro de sua sociedade.

Os pesquisadores afirmam que os Wari desenvolveram técnicas avançadas de agricultura, além do desenvolvimento de estradas para a circulação de pessoas e mercadorias. O minucioso trabalho das tecelãs, que produziam vestimentas que demoravam gerações para serem concluídas, também foi outra descoberta de destaque dessa civilização peruana.

Link da reportagem: 



segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Descoberta brasileira alimenta debate sobre, afinal, quando a Humanidade chegou às Américas?


Sítio arqueológico é estudado por casal desde 1995 | Foto: Divulgação
Ferramentas de pedra, fogueiras e adornos recém-encontrados no Mato Grosso e datados de quase 30 mil anos têm dado combustível a uma discussão histórica na arqueologia moderna: a data de chegada dos seres humanos às Américas.
Há diferentes teorias, desde as que afirmam que o evento ocorreu há cerca de 12 mil anos até as que apostam em 100 mil anos ou mais.
A descoberta recente foi feita no sítio arqueológico de Santa Elina, a 80 km de Cuiabá. Os arqueólogos responsáveis pelas escavações, Denis Vialou e Águeda Vilhena Vialou, do Museu Nacional de História Natural da França, afirmam que essa região brasileira já era habitada há pelo menos 27 mil anos.
"Uma prova é a presença de mais de 300 objetos de pedra lascada, com serrilhados e retoques, que só poderiam ter sido feitos pela mão do homem", afirma Águeda, que realiza escavações na região da Serra das Araras desde 1995.
Outra prova da presença humana, segundo ela, são restos de fogueiras.

'Tripla raridade'

O material encontrado foi datado por três métodos diferentes, envolvendo desde radiocarbono 14 até luminescência ótica.

                            Descobertas arqueológicas no MT foram datadas com 27 mil anos | Foto: Divulgação
Segundo Águeda, o sítio de Santa Elina traz uma tripla raridade : "A primeira é que ocupações humanas pleistocênicas (entre 2,588 milhões e 11,7 mil anos atrás) são raras e por enquanto lá é o único local descoberto no centro do continente sul-americano."
A segunda e a terceira raridades dizem respeito aos adornos encontrados: alguns foram feitos com ossos de preguiças-gigantes do gênero Glossotherium, já extinto.
"É o primeiro caso no Brasil de uma perfeita associação do homem com a megafauna extinta", explica ela. "Há a confecção de objetos simbólicos com ossos da megafauna, transformando-os em adornos."

Discussão desde Colombo

A discussão sobre a data de chegada da Humanidade às Américas remete aos tempos de Cristóvão Colombo, quando desembarcou no Caribe em 12 de outubro de 1492.
Ele foi recebido pelos tainos, um povo amistoso, que o navegador genovês a serviço da Espanha achou que fossem indianos, pois estava convencido que havia chegado à Índia - e permaneceu com essa convicção até a morte.
O descobridor da América não sabia, mas sua chegada ao continente marcou, na verdade, o reencontro de duas linhagens evolutivas do Homo sapiens, que estavam separadas havia pelo menos 50 mil anos: a sua própria, europeia, e a dos primeiros americanos, mongoloides, aparentados com os povos asiáticos.
Desde então, persiste o mistério: como e quando os povos encontrados por Colombo chegaram às Américas?
Teorias não faltam. A mais antiga e resistente é o modelo conhecido em inglês como Clovis-first (Clóvis-primeiro). Deve seu nome a um sítio arqueológico assim denominado, descoberto em 1939, no Novo México, Estados Unidos.

          Descoberta foi feita na região da Serra das Araras | Foto: Divulgação
No local, foram encontrados artefatos de pedra lascada, datados de 11,4 mil anos. Segundo essa teoria, defendida principalmente pela comunidade arqueológica americana, a chegada teria ocorrido há cerca de 12 mil anos.
Já o chamado "modelo das três migrações", sugerido em 1983 por Christy Turner, se baseia num amplo levantamento de diversidade dentária, que concluiu ter havido três levas migratórias da Sibéria para a América.
A primeira, há 11 mil anos, teria dado origem a todos os índios das Américas Central e do Sul e à maioria dos povos nativos norte-americanos. A segunda teria chegado há 9 mil anos e originou os índios ancestrais dos Apaches e Navajos, sobretudo na costa pacífica do Estados Unidos e Canadá. A última seria bem mais recente, há 4 mil anos, e composta pelos ancestrais dos esquimós e povos aleutas (no Círculo Polar Ártico).

Teorias brasileiras

Cientistas brasileiros também têm suas teorias da ocupação das Américas.
Uma delas foi desenvolvida pelo biólogo e antropólogo Walter Alves Neves e pelo geógrafo Luís Beethoven Piló, ambos da Universidade de São Paulo (USP). Eles propõem que os primeiros americanos chegaram ao continente em duas levas migratórias, a primeira há 14 mil anos e a segunda há 11 mil, vindas da Ásia pelo estreito de Bering.
De acordo com eles, a primeira leva seria composta por uma população com traços semelhante aos dos africanos e aborígines australianos. A segunda era de mongoloides, semelhantes aos asiáticos e índios americanos atuais.

                                Detalhes das escavações; discussão sobre a data de chegada da Humanidade às Américas remete aos tempos de Cristóvão Colombo | Foto: Divulgação
Uma segunda teoria foi proposta por três geneticistas brasileiros e um antropólogo argentino, defendendo que houve apenas uma leva migratória, há 18 mil anos.
Antes disso, os ancestrais dos migrantes haviam ficado "presos" na Beríngia, região que unia o Alasca ao nordeste da Sibéria e que naquela época não estava submersa (era o ápice do último período glacial e o mar estava 120 metros abaixo do nível atual).
"Essa população abrigava desde tipos semelhantes aos africanos até os parecidos com os índios atuais", explica Maria Cátira Bortolini, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, uma integrante do grupo.
Há ainda uma terceira teoria sobre a ocupação da América. Bem mais polêmica, ela foi proposta pela arqueóloga Niéde Guidon, com base em suas descobertas em vários sítios arqueológicos no sul do Piauí.
Para ela, o homem chegou à região há nada menos que 100 mil anos, vindo diretamente da África, cruzando o Atlântico, numa época em que o planeta também estava num período glacial, com o mar 120 metros abaixo de seu nível atual.
"Com o isso, o número de ilhas entre a costa euro-africana e a costa sul-americana era bem maior", diz. "Além disso, as correntes marítimas favoreciam a passagem para leste, para o Caribe e para o litoral norte do Brasil."

Controvérsia

É nesse contexto que a descoberta do casal Vialou aumenta a controvérsia.
Alguns pesquisadores brasileiros a veem com cautela e outros, como a confirmação de que os humanos chegaram ao continente muito antes do que propõem algumas teorias.
"Os autores são arqueólogos com excelente formação, portanto suas publicações devem ser levadas em consideração", diz Guidon. "Todas as descobertas são importantes na arqueologia, pois os vestígios estão geralmente sob a terra e podem desaparecer com o passar dos anos."
O geneticista Fabrício Santos, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), outro membro do grupo que propôs a teoria de uma leva só de migrantes, é mais cauteloso.
"É mais um sítio com datas antigas", afirma. "Parece que é bem datado, mas não tem ossos humanos, só dois utensílios furados. Abre perspectiva de que pode ser mais antiga a ocupação da América do Sul, mas faltam mais evidências com vários restos humanos e também ossos."
No que todos concordam é que o modelo Clóvis-primeiro está ultrapassado, por causa de uma série de descobertas nas últimas décadas.
"A ideia de que a cultura Clóvis teria sido a primeira a surgir na América foi definitivamente descartada devido à antiguidade incontestável do sítio Monte Verde, no Chile, de 12,5 mil anos atrás, diz o pesquisador Francisco Mauro Salzano, do Departamento de Genética do Instituto de Biociências, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS).
"Além disso, uma série de outras datações na América do Sul e do Norte serviram de reforço ao abandono dessa teoria, inclusive uma ponta de flecha encontrada enterrada na costela de um mastodonte, no sítio Manis, Washington, EUA, datada de 13,8 mil anos atrás."
Link da matéria escrita por Evanildo da Silveira: 
http://www.bbc.com/portuguese/geral-42103358





segunda-feira, 20 de novembro de 2017

20 de Novembro - Dia da Consciência Negra

O Dia da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro e representa a luta dos negros contra a discriminação racial.

Dia da Consciência Negra é comemorado em todo território nacional. Esta data foi escolhida por ter sido o dia da morte do líder negro "Zumbi", que lutou contra a escravidão no Brasil.

A celebração relembra a importância de refletir sobre a posição dos negros na sociedade. Afinal, as gerações que sucederam a época de escravidão sofreram diversos níveis de preconceito.

Manifestação popular no dia da Consciência Negra
A data foi estabelecida pelo projeto Lei n.º 10.639, no dia 9 de janeiro de 2003. No entanto, somente em 2011 a lei foi sancionada (Lei 12.519/2011) pela presidente Dilma Rousseff. Em alguns estados do país, o Dia da Consciência Negra é feriado como no Rio de Janeiro, Alagoas, Amazonas, Amapá, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.

História do Dia da Consciência Negra

As diversas nações africanas não se reconheciam como negros, e sim como Bantos, Haúças, Niams, Fulas, Kanembus, etc.

Os primeiros africanos trazidos para o Brasil como escravos chegaram aqui em 1532. A abolição do tráfico negreiro deu-se em 1850, pela Lei Eusébio de Queiroz. Após a abolição formal da escravidão no dia 13 de maio de 1888, a busca da "liberdade" e da igualdade por direitos dos negros jamais cessou.

O sentimento de discriminação sentido por todos os lados tornou o negro excluído da sociedade, da educação e assim, marginalizado no mercado de trabalho.

Essa exclusão foi aos poucos se diluindo. O negro encontrava lugar nos esportes e artes, mas não tinha acesso à universidade, por exemplo. Deste modo, a população negra optou por uma celebração simbólica dessa luta constante para sua libertação.

A criação de um dia comemorativo da Consciência Negra é uma forma de lembrar a importância de valorizar um povo que contribuiu para o desenvolvimento da cultura brasileira.

No dia 9 de janeiro de 2003, a Lei Federal 10.639 instituiu o "Dia Nacional da Consciência Negra", no calendário escolar. O ensino da cultura afro-brasileira passou a fazer parte do currículo escolar em todo o país.

Durante este período, diversas atividades e projetos são realizados nas escolas de todo o país para comemorar a luta dos afrodescendentes.

Além disso, tem o intuito de conscientizar a população para a importância desse povo na formação social, histórica e cultural de nosso país.

Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares
Zumbi, nascido num Quilombo (aldeia onde viviam os escravos fugitivos), lutou até a morte para defender seu povo contra a escravidão.

Da escravidão, Zumbi só conhecia as terríveis histórias que os mais velhos estavam sempre contando. Eles lembravam a morte no porão dos navios, a escuridão das senzalas, o trabalho escravo e os castigos sofridos.

O Quilombo dos Palmares estava situado numa longa faixa de terra de 200 quilômetros de largura. Estava paralelo à costa, situado entre o cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, e a parte norte do curso superior do rio São Francisco, hoje no estado de Alagoas.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Aluna de Doutorado em Bioantropologia fala sobre sua experiência com o Estágio "Sanduíche" na University of South Florida (USF)

Ariana da Silva na sala do Applied Biocultural Laboratories
(USF) durante o Doutorado Sanduíche 
Iniciei o estágio "Sanduiche" como parte do doutorado em Antropologia, em maio de 2017, na University of South Florida (USF), no Applied Biocultural Laboratory, do Graduate Program in Anthropology, que funciona no Social Science Building, cidade de Tampa, Florida, EUA, sendo orientada pela Profª. Drª. Lorena Madrigal. A Profª. Madrigal é especialista em Estatística Aplicada em Antropologia e em Doença Falciforme (Traço Falciforme) e Membro Executivo da American Anthropological Association. Recebi bolsa da CAPES por quatro meses para desenvolver um estágio internacional na USF a fim de aprimorar os conhecimentos adquiridos ao longo do Doutoramento no Programa de Pós-Graduação em Antropologia, ênfase em Bioantropologia, da Universidade Federal do Pará (PPGA/UFPA), contudo, permaneci mais dois meses na USF por conta própria, para ter um tempo mais confortável para poder cumprir o objetivo de preparar um ou dois artigos relativos às pesquisas para a tese. 

No Applied Biocultural Laboratory tive acesso a uma sala dividida com outra estudante, a um computador, a uma mini biblioteca, acesso ao SAS ASSIST (Programa de Estatística utilizado na USF), matricula e e-mail da instituição, que me dava acesso livre as bibliotecas da USF (virtual e real), com possibilidade de baixar os mais recentes artigos e livros publicados sobre DF e outros assuntos, além de poder acessar todos os diversos espaços, eventos, viagens e atividades acadêmicas na USF, como: palestras, conferências, sala de aula (fui aluna convidada da disciplina Human Variation, da Profa. Lorena), jogos de todos os esportes, academia de ginástica, cafés (Wednesdays with World, evento mensal para bate papo com alunos e profissionais da USF), festinhas, e inúmeros momentos de sociabilidade que a USF tem com os estudantes regulares e visitantes, nacionais e internacionais, incluindo, churrascos e brincadeiras.

No que diz respeito a tese, analisei os dados estatísticos no SAS ASSIST com a experiente supervisão e orientação da Profª. Lorena, que me ajudou a pensar sobre os números e avaliar as informações sobre ancestralidade genética, renda, idade, gênero, raça/cor, racismo e sintomas clínicos de pessoas com DF, que foram alguns dos levantamentos feitos no Brasil durante a pesquisa de campo, sendo que esse programa é de excelente aplicação para dados qualitativos e quantitativos em Antropologia/Bioantropologia, Ciências Sociais, etc. A minha pesquisa obteve alguns resultados importantes para que possamos entender melhor a respeito dos dados genéticos e bioculturais que vivenciam as pessoas com DF na Amazônia. Aqui, editei e submeti o 3º artigo da tese já com alguns resultados sobre o levantamento de renda de pessoas com DF no Estado do Para (versão em Português) e consegui finalizar o 4º e último artigo da tese, com os resultados que obtive utilizando o SAS ASSIST, falando sobre ancestralidade genômica e identidade social de pessoas com DF (versão em Inglês), que após a reedição da Profª. Lorena Madrigal (USF/EUA) e do meu orientador Profº. Dr. Hilton P. Silva, enviarei para uma revista ainda a ser definida. Além de trabalhar nas análises dos dados que trouxe do Brasil, nos levantamentos bibliográficos, participar das aulas do curso da Profª. Lorena e treinar o Inglês, ao final de minha estadia eu também tive a oportunidade de fazer uma palestra para discentes e docentes do Departamento de Antropologia da USF. 

O que levo dessa experiência na USF/Flórida é muito mais do que conhecimento teórico, mas uma imersão na Cultura Norte Americana em sentido amplo: uma nova linguagem (ainda que inicial, a comunicação em inglês melhorou substancialmente!), organização da sociedade, incrível estrutura educacional para os estudantes e professores, disciplina, objetividade e bastante foco em tudo o que eles fazem na vida e que, agora, tenho como aprendizado. Só tenho muito a agradecer a USF, aos Profs. Hilton e Lorena, ao PPGA, a CAPES e a minha “American Family” (Linda (dona da casa onde morei), Caetlin (filha da Linda) e Bukki (outro estudante de doutorado, Nigeriano, que morava conosco), por me proporcionarem tamanha experiência acadêmica e humana. Muito obrigada!!! 

Ariana da Silva - Email: arianabelem@gmail.com

Tampa, Florida, Novembro de 2017.

Acervo fotográfico do Estágio "Sanduíche" na University of South Florida USF/Tampa/EUA
Ariana no Applied Biocultural Laboratories/USF
Reunião no Office da Profa. Dra. Lorena Madrigal/USF
"Wednesday's with World" - Café, snacks e sociabilidade com estudantes de todas as nacionalidades, professores e  outros funcionários da USF que acontecia uma quarta-feira por mês
Almoço com a Profa. Dra. Madrigal no Marshall Student Center/USF
Bilhetinhos na porta de uma das salas do Departamento de Antropologia da USF com recados que diziam:
"Estudantes estrangeiros são benvindos", entre outros.
Palestra sobre Gênero Trans/Biblioteca/USF
Jantar com a Profa. Lorena Madrigal
Sala de aula na USF/Social Science Bulding/Antropologia Biológica
American Barbecue
Família Americana na Flórida/Tampa

Festa de boas vindas chamada "We Are Welcome" para novos estudantes de Graduação e Pós Graduação (Marshall Student Center/USF). Na foto, estudantes da Índia, da Geórgia (Europa) com a doutoranda Ariana (Brasil/América do Sul). O "chifrinho" que eles fazem nasmãos representa a expressão: "GO BULLS!" ("Vamos Búfalos!"), pois o búfalo representa a força e a garra da USF.

O site da USF segue: http://www.usf.edu/

terça-feira, 31 de outubro de 2017

LEBIOS Participa do I CONGRESSO DE PESQUISADORES/AS NEGROS/AS DO NORDESTE – COPENOR

 “PRESENÇA NEGRA NO NORDESTE PARA ALÉM DOS TAMBORES: SABERES CULTURAIS E PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO”



O I Congresso de Pesquisadores/as Negros/as do Nordeste ocorreu no período de 24 a 27 de outubro na Universidade Federal do Maranhão – UFMA.

Em parceria com o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros/NEAB e a Associação Brasileira de Pesquisadores Negros/ABPN, o Congresso contou com a presença de pesquisadores (as) dos núcleos de estudos afro-brasileiros e indígenas das diversas instituições de ensino superior, dos institutos federais e demais centros de pesquisas, estimulando, também, a participação de estudantes dos cursos de graduação, professores (as) da educação básica e integrantes de organizações da sociedade civil.

A discente Nádia Alinne Fernandes, vinculada ao LEBIOS e doutoranda em Bioantropologia do Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA/UFPA), coordenou a oficina sobre Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional no Contexto da População Negra, no dia 24 de outubro. A Oficina foi proposta por Nádia e pelo Prof. Dr. Hilton P. Silva, coordenador do LEBIOS e da Casa Brasil-África da UFPA (CBA/UFPA), e membro da ABPN, e teve como o princípio contribuir para o desenvolvimento das políticas públicas voltadas à Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) e Promoção da Igualdade Racial. O diálogo entre pesquisadores caminhou para a percepção, de forma coletiva, da prevalência da insegurança alimentar em populações negras, especialmente, nas populações tradicionais de matriz africana e quilombolas.


Oficina Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional no Contexto da População Negra, coordenado por Nádia Alinne Fernandes, no I COPENOR.

Oficina Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional no Contexto da População Negra, coordenado por Nádia Alinne Fernandes, no I COPENOR.

No dia 26 de outubro, a discente coordenou o GT 9 sobre Saúde da População Negra. O GT foi proposto e organizado pelos Profs. Drs. Altair dos Santos Lira – UFBA, Edna Maria de Araújo – UEFS e Prof. Dr. Hilton Pereira da Silva – UFPA. O Grupo entende que o racismo institucional é determinante para a saúde da população negra, posto que é estruturante da marginalização e da segregação do negro em todas as esferas públicas e privadas brasileiras. Este é o primeiro GT sobre Saúde da População Negra criado pela ABPN e tem como focos a formação e atuação dos profissionais, a situação de saúde e as demandas dos usuários negros, e o diálogo entre sociedade civil, órgãos públicos e pesquisadores. Foram apresentados os seguintes trabalhos:


Projeto de Extensão Saúde da População Negra em Senhor do Bonfim: um relato de experiência. Autores: Eliana do Sacramento de Almeida, Carmélia Aparecida Silva Miranda, Ruan Carlos Dias Santos e Noelayne Oliveira Lima;

Anemia Falciforme em Debate: Uma compreensão acerca da Política Pública de Saúde da População Negra. Autora: Elisandra Cantanhede Ribeiro (UFMA);

Vulnerabilidades no Parto: um recorte étnico/racial da assistência obstétrica no Brasil. Autores: Kelly Diogo de Lima, Rafael da Silveira Moreira e Camila Pimentel;

Repercussões psicológicas e seu impacto na qualidade de vida das crianças e adolescentes com anemia falciforme. Autores: Nelcilene Ferreira de Jesus, Cintia Rafaeli, Uilliane Silva e Viviane Silva;

Saúde da População Negra: ações de pesquisa e intervenção em território quilombola. Autores: Thiago André de Lima Costa (Odontologia UFPB) e Isabela Ludimila de Oliveira Bezerra (Pedagogia UFPB).


Fotos do GT 9 Saúde da População Negra, coordenado por Nádia Alinne Fernandes, no I COPENOR.









domingo, 22 de outubro de 2017

VI SEMINÁRIO INTERNACIONAL ANTROPOLOGIA EM FOCO

Em sua sexta edição, o SEMINÁRIO INTERNACIONAL ANTROPOLOGIA EM FOCO tem por objetivo o de viabilizar um fórum de debates sobre a interdisciplinaridade em Antropologia com relação a temas de relevância para a Pan-Amazônia, ao estabelecer o diálogo entre acadêmicos/as que apresentam resultados de pesquisas já realizadas e estudantes de pós-graduação que iniciam suas trajetórias junto ao Programa de Pós- Graduação em Antropologia (PPGA) nos quatro campos da Antropologia (Antropologia Social e Cultural, Arqueologia, Bioantropologia e Antropologia Linguística) e suas interfaces disciplinares. Em 2017, será apresentado o estado da arte nas pesquisas em quatro grandes eixos temáticos: 1. Estado, Políticas e Direitos: a Antropologia na berlinda; 2. Diversidade Sexual e de Gênero em Contextos Diferenciados: descolonizando, descentrando e desaxializando a Antropologia brasileira; 3. Alimentação, Saúde e Território; 4. Línguas indígenas, linguística antropológica e inclusão social: desafios para o PPGA.

Promoção: Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA) Data: 24, 25 e 26 de outubro de 2017 Local: Auditório do IFCH e Miniauditório do PPGA.


Informações referentes a programação e inscrições, estão no site do evento: http://emfocoantropologia.wixsite.com/antropologiaemfoco

Essa edição contará com a II exposição sobre Evolução Humana da UFPA.