terça-feira, 18 de julho de 2017

Encontrado primeiro esqueleto completo no Cemitério dos Pretos Novos, no Rio de Janeiro

Encontrado esqueleto completo no Cemitério dos Pretos Novos

·  05/07/2017 12h29 Publicação

·  Rio de Janeiro Localização

Akemi Nitahara – Repórter da Agência Brasil*

Após sete meses de escavações, foi encontrado o primeiro esqueleto inteiro no Cemitério dos Pretos Novos, sítio arqueológico descoberto em 1996 na região portuária do Rio de Janeiro. No local, onde hoje funciona o Instituto de Pesquisa e Memória dos Pretos Novos (IPN), eram jogados os corpos dos africanos escravizados que morriam na travessia marítima para o Brasil.

As escavações ocorreram em uma área de 2 metros quadrados (m2) de um dos poços de observação do cemitério. O trabalho foi coordenado pelo arqueólogo Reinaldo Tavares, do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Os pesquisadores identificaram que a ossada é de uma mulher que morreu com aproximadamente 20 anos, no início do século 19, portanto, há cerca de 200 anos. O esqueleto encontrado no Cemitério dos Pretos Novos recebeu o nome de Josefina Bakhita, em homenagem à primeira santa africana da Igreja Católica.


Tavares explica que o fato de ser uma mulher é surpreendente, pois apenas 9% dos africanos escravizados trazidos para trabalharem no Brasil eram do sexo feminino. Ele destaca que a posição em que ela foi encontrada, entrelaçada a outros restos mortais, comprova a forma desumana com que os africanos eram tratados. Os corpos eram empilhados e queimados sem proteção, cuidado ou respeito. "O indivíduo passa a contar a sua história. Não são somente ossos esparsos e quebrados, como até então havíamos encontrado. Agora estamos encontrando os indivíduos. Isso é muito importante, porque, pela primeira vez, estamos encontrando os africanos que chegaram ao Rio de Janeiro".

O ossada encontrada é de uma mulher e recebeu o nome de Josefina Bakhita, em homenagem à primeira santa africana da Igreja Católica. Arqueólogos estimam que ela morreu com aproximadamente 20 anos, no início do século 19.
O cemitério funcionou entre 1769 e 1830, quando foi desativado, e ficou escondido até 1996, quando a proprietária da casa construída sobre ele, Merced Guimarães, encontrou restos mortais durante uma reforma no imóvel. "No início a gente achou que eram pessoas da casa que haviam sido enterradas ali. Aí a gente ficou pensando [no que fazer] e fomos até o Centro Cultural José Bonifácio [municipal, dedicado à preservação da cultura afro-brasileira]. Lá eles falaram que aqui era o antigo cemitério dos escravos".

A descoberta ocorre às vésperas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) anunciar se o Cais do Valongo, também na região portuária do Rio, por onde se estima que tenham desembarcado no país cerca de 1 milhão de africanos escravizados, receberá o título de Patrimônio Mundial. O anúncio está previsto para ser feito no dia 7 ou 8 de julho. O local já é registrado como sítio arqueológico nacional pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Verba

Apesar de ser um dos principais pontos históricos relacionados à história da diáspora africana, o trabalho do instituto está ameaçado pela falta de verbas. De acordo com Merced, que dirige a entidade, o aporte de R$100 mil solicitado à prefeitura foi negado. "Aqui tem que ter uma verba de custeio, a prefeitura não tem isso, a não ser por lei. Quando passar de agosto, não sei se a gente vai conseguir manter isso aqui aberto. Se não for o tempo todo, vamos abrir pelo menos algum dia da semana. E sem luz".

De acordo com a Secretaria Municipal de Cultural, o IPN recebia verba da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), mas o acordo de repasse venceu em março. A secretaria informa que, por enquanto, não há orçamento destinado ao instituto, mas que isso será resolvido em breve com auxílio da prefeitura. Também será oferecida consultoria para que o espaço se torne autossustentável.

Além disso, a secretaria explica que o IPN tem recebido apoio e suporte da pasta para, por exemplo impressão de material e realização de atividades no Centro Cultural José Bonifácio. O IPN também está envolvido no projeto de territorialidade do Museu da Escravidão e da Liberdade [1], a ser implantado na região portuária. A secretária de Cultura, Nilcemar Nogueira, falou sobre o projeto [2] do museu na semana passada.

*Colaborou Tâmara Freire, repórter do Radiojornalismo EBC
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Antonio Carlos Moreira
Assessor de Imprensa 
Museu Nacional/UFRJ




 SERVIÇO
Museu Nacional/UFRJ
O primeiro museu do Brasil e a mais antiga instituição científica de História Natural e Antropologia do País
Local: Quinta da Boa Vista – Bairro Imperial de São Cristóvão – Rio de Janeiro -- RJ - Brasil
Aberto de terça a domingo, das 10 às 16 horas, e as segundas das 12 às 16 horas
Ingressos: R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia)
Gratuidade: crianças até 5 anos e pessoas com deficiência
Entrada gratuita, todos os dias, a partir das 15 horas

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Estudo sugere que os Neanderthais utilizavam "odontologia pré-histórica"

Recentemente, foi publicado um estudo que possui como resultados a ideia de que os Neanderthais já poderiam se utilizar de inteligência suficiente para realização do que chamaram de "odontologia pré-histórica". O estudo publicado no Boletim da Associação Internacional de Paleodontologia, encontrou ranhuras, fraturas e sulcos, resumindo, sinais que indicam que os dentes teriam sido manipulados para a resolução de problemas odontológicos. 
Abaixo segue o texto intitulado "Neanderthais já praticavam 'odontologia pré-histórica' há 130 mil anos, diz estudo" escrito por Fábio de Castro, de O Estado de S.Paulo (Estadão).

Há 130 mil anos, o homem de Neanderthal já praticava uma espécie de "odontologia pré-histórica", de acordo com um novo estudo que analisou um conjunto de dentes encontrados há mais de 100 anos, na Croácia. 
A análise dos dentes de um Neanderthal mostrou uma série de sulcos, ranhuras e fraturas que revelam tentativas de lidar com problemas odontológicos como um dente impactado  e um outro desalinhado, de acordo com os autores do estudo, liderado por cientistas da Universidade do Kansas (Estados Unidos).

Legenda: A análise dos dentes de um Neanderthal mostrou uma série de sulcos, ranhuras e fraturas que revelam tentativas de lidar com problemas odontológicos como um dente impactado  e um outro desalinhado, de acordo com os autores do estudo, liderado por cientistas da Unviersidade do Kansas (Estados Unidos). Foto: David Frayer, University of Kansas
Segundo os autores, assim como outros estudos recentes, a nova pesquisa indica que os Neanderthais eram muito mais inteligentes do que se pensava. 
"Havia sulcos feitos com algum tipo de palito, fraturas e ranhuras nos pré-molares. De maneira geral, tudo isso indica que esse Neanderthal tinha algum problema dentário que estava tentando tratar sozinho, como um humano moderno poderia fazer", afirmou um dos autores da pesquisa, o antropólogo David Frayer.
A pesquisa teve seus resultados publicados hoje no Boletim da Associação Internacional de Paleodontologia. Os cientistas analisaram quatro dentes isolados, mas que provavelmente pertenciam ao lado esquerdo da boca de um só indivíduo.
Em Krapina, na Croácia, onde os dentes foram encontrados entre 1899 e 1905, os autores do novo estudo já haviam feito uma série de descobertas sobre a vida Neanderthal. Uma delas foi um estudo publicado em 2015 sobre um conjunto de garras de águia com marcas de cortes e moldadas como adornos.
Na nova pesquisa, os cientistas analisaram os dentes com microsópios para documentar o desgaste oclusal - isto é, como os dentes se encaixavam na mordida -, a formação de sulcos feitos com palitos, ranhuras na dentina e fraturas no esmalte antes da morte.
Segundo os cientistas, não foi possível localizar a mandíbula do indivíduo para buscar indícios de infecções nas gengivas, mas os sulcos e ranhuras nos dentes indicam que provavelmente algo estava causando irritação e desconforto por algum tempo nesse indivíduo.
Os cientistas também verificaram que o terceiro molar e um pré-molar haviam sido empurrados para fora de suas posições normais. Foram encontradas seis sulcos nesses dentes e nos dois molares vizinhos.
Segundo Frayer, as características do pré-molar e do terceiro molar estão associadas com vários tipos de manipulação dentária. "As ranhuras indicam que esse individuo estava enfiando algo em sua boca para alcançar o pré-molar fora de posição", disse Frayer.
Os cientistas não conseguiram identificar o que o Neanderthal usou para produzir os sulcos nos dentes, mas é possível que tenha sido um pedaço de osso, ou um caule duro de gramínea.
"Talvez não seja surpreendente que um Neanderthal tenha feito isso, mas até onde sei não havia sido encontrado nenhum outro espécime que combinasse todas essas intervenções em um padrão que indique tão claramente a tentativa de tratar um problema de erupção", disse Frayer.
Inteligência analgésicose O novo estudo, segundo Frayer, é interessante quando associado à descoberta de que os Neanderthais faziam adornos com garras de água, porque até agora era comum se pensar que os Neanderthais não teriam inteligência comparável à humana. 
Em um estudo publicado em março, outro grupo de cientistas também revelou evidências de que os Neanderthais utilizavam formas naturais de penicilina e de aspirina para tratar a infecções associadas a problemas dentários.
"Tudo isso sugere que o Neanderthal era capaz de modificar seu ambiente com o uso de ferramentas. Palitar os dentes e neles produzir ranhuras e fraturas são ações que mostram que os Neanderthais faziam intervenções dentro da boca para tratar irritações dentais. Ou pelo menos esse Neanderthal fazia", disse Frayer.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Walter Neves comenta sobre as recentes descobertas do sítio de Jebel Irhoud

Em entrevista ao Ciência USP, o professor Walter Neves comenta sobre as recentes descobertas do sítio de Jebel Irhoud, no qual fósseis de Homo sapiens foram encontrados e datados com aproximadamente 350 mil anos, o que antecipa em pelo menos 100 mil anos o aparecimento de nossa espécie. 

Abaixo o vídeo da entrevista com o professor Walter Neves e o link para acesso no Youtube:

https://www.youtube.com/watch?v=uk5DkeRVlQY


video

quinta-feira, 8 de junho de 2017

O mais antigo fóssil humano

E a nossa história obteve mais um capítulo interessante. Ontem diversos veículos de informação divulgaram os resultados de dois artigos publicados na revista Nature, os quais tratam sobre os achados em Jebel Irhoud, no oeste do Marrocos. Os artigos demonstram que a nossa espécie Homo sapiens já existia há 300 - 350 mil anos atrás, ampliando o tempo de nossa espécie e nossa história. 

Abaixo seguem uma reportagem do Fábio de Castro, do jornal O Estado de São Paulo e os links para os dois artigos publicados na revista Nature.

Encontrado no Marrocos, o mais antigo fóssil humano tem 300 mil anos

Com novos métodos, cientistas fizeram datação mais precisa de pelo menos cinco esqueletos de Homo sapiens; descoberta antecipa início da história da espécie em pelo menos 100 mil anos. 

Um grupo internacional de cientistas descobriu no Marrocos pelo menos cinco fósseis humanos de pelo menos 300 mil anos, cercados de ferramentas de pedra e restos de animais. A descoberta, revelada em dois artigos publicados na edição de hoje da revista Nature, antecipa em pelo menos 100 mil anos a mais antiga evidência fóssil já registrada da espécie Homo sapiens.
De acordo com os autores dos estudos, a descoberta revela que a espécie humana tem uma história evolutiva muito mais complexa do que se imaginava, envolvendo provavelmente todo o continente africano. O fóssil humano mais antigo encontrado já registrado até agora tinha 195 mil anos e havia sido desenterrado no leste da África, em Omo Kibish, na Etiópia.
"Acreditávamos que o berço da humanidade havia sido o leste da África, há 200 mil anos, mas nossos novos dados revelam que o Homo sapiens já havia se espalhado por todo o continente africano há cerca de 300 mil anos", disse o autor principal da pesquisa, o paleoantropólogo Jean-Jacques Hublin, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em Leipzig (Alemanha).
A descoberta foi feita em Jebel Irhoud, no oeste do Marrocos. Desde a década de 1960 haviam sido encontrados seis fósseis humanos e diversos artefatos da Idade da Pedra no local, mas a idade dos fósseis era até permanecia incerta.
Um novo projeto de escavação em Jebel Irhoud, iniciado em 2004, revelou 16 novos fósseis de Homo sapiens, envolvendo crânios, dentes e ossos longos de pelo menos cinco indivíduos. As escavações foram lideradas por Hublin e por Abdelouahed Ben-Ncer, do  Instituto Nacional de Arqueologia e Patrimônio do Marrocos, sediado em Rabat.
Os cientistas conseguiram precisar a cronologia dos fósseis graças à tecnologia. Eles utilizaram um método de datação por termoluminscência em pedras de sílex encontradas nos mesmos depósitos. 
"Sítios bem datados dessa época são excepcionalmente raros na África, mas nós tivemos sorte, já que vários dos artefatos de sílex de Jebel Irhoud foram aquecidos no passado. Isso nos permitiu aplicar os métodos de datação por termoluminescência nesses artefatos, para estabelecer uma cronologia conssitente para os hovos fósseis e para as camadas de solo que os cobriam", explicou o especialista em geocronologia Daniel Richter, do Instituto Max Planck.
Além da datação por meio dos artefatos de pedra, os cientistas conseguiram refazer o cálculo direto da idade de três mandíbulas encontradas em Jebel Irhoud na década de 1960. Essas mandíbulas haviam sido anteriormente datadas em 160 mil anos, com um método por ressonância paramagnética eletrônica. 
No novo estudo, porém, os cientistas aprimoraram o método e recalcularam a idade dos fósseis, encontrando um resultado coerente com as datações por termoluminescência: eles tinham quase o dobro da idade estimada inicialmente. "Utilizamos métodos de datação de última geração e adotamos as abordagens mais conservadoras para determinar a idade com precisão", disse Richter.
Participaram do estudo cientistas do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva (Alemanha), do Instituto Nacional de Arqueologia e Patrimônio de Rabat (Marrocos), do Collège de France, em Paris (França), das universidades de Nova York, de Califórnia Davis (Estados Unidos), de Bolonha (Itália), de Tuebingen (Alemanha), de Canberra, de Griffith, de Southern Cross (Austrália) e da Sorbonne (França).
Cardápio. Além de revelarem que o Homo sapiens é 100 mil anos mais antigo do que se pensava, os novos estudos revelaram também o cardápio dos humanos há 300 mil anos: muita carne de gazela, alguma carne de gnu e de zebra, eventualmente ovos de avestruzes, além de antílopes, búfalos, porcos-espinho, lebres, tartarugas, moluscos de água doce e serpentes.
De acordo com a paleoantropóloga Teresa Steele, da Universidade de Califórnia Davis, foram encontrados em Jebel Irhoud centenas de ossos de animais fossilizados e as espécies de 472 deles foram identificadas. Foram também observadas marcas de cortes nos ossos, indicando que suas medulas haviam sido utilizadas como alimento por humanos. 
"Realmente parece que essas pessoas gostavam de caçar. A dispersão do Homo sapiens por toda a África há 300 mil anos é provavelmente resultado de mudanças na biologia e no comportamento da espécie", disse Teresa.
As ferramentas de pedra encontradas em Jebel Irhoud eram feitas de sílex de alta qualidade, "importadas" para o sítio, de acordo com o paleoantropólogo Shannon McPherron, do Instituto Max Planck. Segundo ele, os machados, ferramentas frequentemente encontradas em outros sítios antigos, não estavam presentes em Jebel Irhoud. Mas a maior parte dos utensílios encontrados ali também existiram por toda a África na metade da Idade da Pedra.
"Os artefatos de pedra de Jebel Irhoud parecem muito semelhantes aos encontrados no leste e no sul da África. É provável que as inovações tecnológicas da metade da Idade da Pedra estejam ligadas ao surgimento do Homo sapiens", afirmou McPherron.
Arcaico e moderno. Segundo os cientistas, o crânio dos humanos modernos é caracterizado por uma combinação de características que os distinguem dos hominídeos de espécies aparentadas e de ancestrais extintos, como, por exemplo, a caixa craniana globular (arredondada), a face pequena, com osso nasal projetado, mandíbulas curtas, testa alta e arcada supraciliar limitada.
Utilizando tecnologia de ponta em micro-tomografias computadorizadas e análises estatísticas morfológicas com base em centenas de medições 3D, os cientistas mostraram que os fósseis de Jebel Irhoud apresentam rosto e dentes semelhantes aos do homem moderno. A caixa craniana, porém, tem formato mais arcaico, mais alongado que o do homem atual. 
"O formato interno da caixa craniana reflete o formato do cérebro. Nossa descoberta sugere que a morfologia do rosto do humano moderno se estabeleceu muito cedo na história da nossa espécie, enquanto o formato do cérebro - e provavelmente suas funções - evoluiu ao longo das linhagens sucessivas de Homo sapiens", afirmou o paleoantropólogo Philipp Gunz, do Instituto Max Planck.
Segundo os cientistas, comparações feitas recentemente entre o DNA extraído de Neanderthais e de humanos modernos revelam diferenças genéticas que afetam o cérebro e o sistema nervoso. As mudanças evolutivas do formato da caixa craniana teriam, portanto, uma provável ligação com uma série de transformações genéticas que afetaram a conectividade, organização e desenvolvimento do cérebro, que distingue o Homo sapiens de seus ancestrais e parentes extintos.
A morfologia e a idade dos fósseis de Jebel Irhoud também corroboram, segundo os pesquisadores, a interpretação de que um enigmático pedaço de crânio encontrado em Florisbad, na África do Sul, pertenceria a um representante precoce da espécie Homo sapiens. Nesse caso, já haveria fósseis muito antigos da espécie por todo o continente africano: no Marrocos, com 300 mil anos, na África do Sul, com 260 mil anos e na Etiópia, com 195 mil anos.
"O norte da África há muito tempo é negligenciado nos debates sobre a origem da nossa espécie. As descobertas espetaculares de Jebel Irhoud demonstram estreitas conexões entre o Magreb e o resto da África na época em que emergiu o Homo sapiens", disse Ben-Ncer.
Traços sobrepostos. Em um comentário aos dois artigos, publicado na mesma edição da Nature, os paleoantropólogos Chris Stringer e Julia Galway-Witham, do Museu de História Natural de Londres (Reino Unido) afirmam que a descoberta no Marrocos "poderá iluminar a evolução da nossa espécie de uma maneira equivalente à que o fóssil de Neanderthal encontrado em Sima de los Uesos, na Espanha, fizeram com o nosso conhecimento sobre o desenvolvimento dos Neanderthais".
Segundo eles, as análises de DNA sugerem que a linhagem dos humanos modernos se diferenciou dos parentes mais próximos - os Neanderthais e os Denisovans - há mais de 500 mil anos, portanto muito antes do primeiro espécime reconhecível de Homo sapiens. "Isso pode significar que existiram membros mais recentes da linhagem Homo sapiens que tinham características preponderantemente arcaicas, em vez dos traços modernos. Até agora, tem sido difícil identificar esses fósseis", escreveram.
De acordo com Stringer e Julia, os autores dos novos estudos sugerem que uma separação clara entre fases da evolução do Homo sapiens - como as que descrevem os fósseis como "arcaicos" e "anatomicamente modernos" - provavelmente deixarão de existir à medida que o registro de fósseis aumenta. "Eles provavelmente estão certos, embora as evidências que encontraram adicionem a esse quadro uma sobreposição de formas que pareciam mais arcaicas ou mais modernas", disseram.
Mais uma pista dessa sobreposição de características "arcaicas" e "modernas", segundo eles, é a descoberta - reportada pelo Estado no dia 9 de maio - de que um espécime do primitivo Homo naledi, encontrado na África do Sul, tinha apenas 300 mil anos e não 2,5 milhões de anos, como se pensava. "Talvez mais estudos de datação possam esclarecer a extensão dessa sobreposição e os processos que podem ter levado à evolução dos humanos modernos", escreveram.

Links para os artigos: 




quarta-feira, 7 de junho de 2017

Contribuições da Bioantropologia para a Saúde Pública

Todo cidadão brasileiro tem direito a saúde e o Estado tem o dever de garantir esse direito. Porém, observa-se no Brasil que tanto doenças crônicas não transmissíveis como as doenças infecciosas continuam sendo prevalentes na população, em função de vários fatores relacionados às questões sociais, como carências em educação, segurança, alimentação, saneamento e etc. Além disso, o próprio sistema de saúde brasileiro, o SUS, necessita de mais investimentos para que seus princípios se tornem uma realidade, além de um olhar especial para a Atenção Primária à Saúde, que é a porta de entrada do sistema. O Programa Mais Médicos (PMM), que tem como um de seus objetivos a contratação emergencial de médicos para atuar em áreas vulneráveis, de difícil acesso e com escassez de profissionais médicos é uma das políticas criadas para remediar os problemas enfrentados pela população. O programa, no entanto, foi muito criticado pelas entidades médicas, embora tenha sido bem aceito pela população.

Os alunos Alisson Lima e Roseane Tavares, vinculados ao LEBIOS, e mestrandos do Programa de Pós-Graduação em Saúde, Ambiente e Sociedade na Amazônia (PPGSAS/UFPA), desenvolvem suas pesquisas sobre o PMM e seus impactos no Pará. No período de 02 a 04 de Maio de 2017 eles participaram do III Congresso Brasileiro de Política, Planejamento e Gestão em Saúde – Estado e Democracia: o SUS como direito social (http://abrasconatal17.ufrn.br/), promovido pela ABRASCO e realizado em Natal – RN, onde apresentaram alguns dos resultados de suas pesquisas.

O trabalho “Perspectiva dos Gestores Municipais sobre o Programa Mais Médicos no Estado do Pará”, de Alisson B. L. Lima, Roseane B. Tavares e Hilton P. Silva (Figura 1), aponta que a maioria dos gestores entrevistados tem interesse na continuidade do Programa em seus municípios. A razão disso são os bons resultados obtidos com os intercambistas cubanos, como o incremento de visitas domiciliares, fixação de médicos nos municípios e a percepção de maior humanização por parte dos médicos intercambistas. Já o trabalho “Formação e Experiência Profissional dos Médicos Intercambistas do Programa Mais Médicos no Pará”, de Roseane Bittencourt e Hilton P. Silva (Figura 2), mostra que os profissionais cubanos que participam do PMM no Pará, são profissionais capacitados, com grande experiência acadêmica e profissional em seu país de origem e em missões internacionais, especialmente na área da saúde da família.

Á partir de uma análise tendo com base teórica os Determinantes Sociais de Saúde, os trabalhos concluem que o PMM tem contribuído para a redução das iniquidades em saúde, melhorando assim a qualidade de vida da população que vive em áreas de grande vulnerabilidade e escassez de profissionais médicos.

Figura 1 – Pôster do aluno Alisson


Figura 2 – Pôster da aluna Roseane

sábado, 13 de maio de 2017

Liberdade Acadêmica está em Risco no Brasil, firmam Antropólogos.

Associações nacionais e internacionais de antropologia alertam para criminalização da pesquisa básica sobre populações tradicionais, indígenas e quilombolas no Brasil

No ISA
Associações científicas antropológicas, nacionais e internacionais, receberam com profunda preocupação e alarme os resultados, divulgados este mês, dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Funai e Incra instaurada em 2015 na Câmara dos Deputados, encerrada sem conclusões e reaberta em 2016, sob a liderança dos deputados ruralistas Alceu Moreira (PMDB/RS), Luiz Carlos Heinze (PP/RS) e Nilson Leitão (PSDB/MT). Com mais de 3000 páginas, o relatório final pede o indiciamento de 88 pessoas em cinco estados (Bahia, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) entre indígenas, quilombolas, assentados da reforma agrária, ativistas, procuradores, políticos, além de antropólogos e outros pesquisadores que atuaram em processos de reconhecimento de direitos territoriais.
A direção executiva da Associação Americana de Antropologia (AAA) enviou nesta terça (9/5) uma carta a autoridades brasileiras pedindo esclarecimentos e expressando “profunda preocupação” com os resultados apresentados. “Estamos alarmados que a pesquisa antropológica básica no Brasil, especificamente a pesquisa documentando povos indígenas e quilombolas, seja vista como ‘criminosa’ pela Comissão”. Em tom diplomático, o documento sugere haver, no mínimo, “um mal-entendido sobre a natureza da pesquisa antropológica” e destaca que “a comunidade antropológica brasileira é internacionalmente respeitada pela sua pesquisa científica e sua defesa dos direitos humanos”. A associação norte-americana – maior organização de antropologia profissional do mundo fundada em 1902 – lembra ainda que a “a liberdade, a liberdade acadêmica, o respeito à diversidade e ao pluralismo, assim como os direitos culturais e o direito à terra, são valores protegidos pela constituição brasileira”.
A carta da AAA reforça o conteúdo de uma manifestação semelhante também enviada a autoridades, dias antes (5/5), pela Salsa (Society for the Anthropology of Lowland South America) – a maior associação internacional de especialistas em antropologia das terras baixas sul-americanas do mundo. Para a Salsa, a decisão da CPI de criminalizar o trabalho que antropólogos e outros profissionais desenvolvem entre comunidades tradicionais, “só pode ser interpretada como uma estratégia para intimidar e interromper o trabalho de profissionais altamente respeitados”. O documento destaca a preocupação da entidade com a independência acadêmica e a liberdade de pesquisa no Brasil, além de reiterar a qualidade dos trabalhos desenvolvidos pela comunidade antropológica brasileira: “estudiosos de todo o mundo são sabedores da alta qualidade da pesquisa científica produzida pelos antropólogos brasileiros”.
Reforçando o coro, o Diário de Notícias Lusa, de Lisboa, divulgou também nesta terça (9/5) uma entrevista com a antropóloga portuguesa Suzana de Matos Viegas, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, indiciada por sua atuação nos estudos de identificação e delimitação da Terra Indígena Tupinambá de Olivença na Bahia, aprovados pela Funai em 2009. Para Viegas, as acusações não só são falsas, como evidenciam que seus proponentes estão “contra a existência da lei e não (preocupados) com o rigor da sua aplicação”. “Eles (CPI) começam a acusar a própria Associação Brasileira de Antropologia (ABA) de ser uma associação sem fins lucrativos para fins ideológicos”. Para ela, o relatório final da CPI é “um documento contra os direitos humanos, contra a legislação que o Brasil adotou desde que é uma nação democrática, com muitas afirmações racistas, contra a legislação internacional”.
Imagem: Teseia Panará no TRF em Brasília, no dia da decisão inédita que deu ganho de causa a uma ação indenizatória pelos danos pós-contato sofridos por seu povo| Orlando Brito.
Estas manifestações da comunidade internacional se somam também a uma nota divulgada em 8/5 nas redes sociais pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional (UFRJ). Além de prestar solidariedade às dezenas de indiciados – dentre os quais alunos e ex-alunos do programa – o documento repudia a “tentativa de criminalização da prática da perícia antropológica” e reitera que “toda a ação dos pesquisadores e pesquisadoras acusado/as tem se feito à luz da legislação vigente”.
A nota relembra ainda que a “perícia antropológica [é] apenas uma pequena parte de cunho técnico-científico de processos jurídico-administrativos em que o amplo direito do contraditório está assegurado”. Argumentam os antropólogos do Museu Nacional que “as acusações revelam-se inteiramente infundadas e mesmo fraudulentas” e tem por objetivo “inviabilizar o exercício da atividade de pesquisa daqueles e daquelas que estão sendo injustamente acusados”.

Na mesma onda de repúdio ao relatório da CPI Funai/Incra, uma petição foi divulgada (9/5) pela Salsa em conjunto com a Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e o Groupe International de Travail pour les Peoples Autochtones (GITPA). No documento, “professores, intelectuais e membros do mundo acadêmico” manifestam seu “repúdio veemente à política anti-indígena do Estado brasileiro” e sua “preocupação em relação a uma política que já tem consequências genocidas em estados como o Mato Grosso do Sul, Bahia e Maranhão”.
13 DE MAIO - DIA NACIONAL DE LUTA CONTRA O RACISMO! 

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Hominídeo da África do Sul é muito mais novo do que se pensava

Cientistas se surpreendem com datação de 'Homo naledi', descoberto em 2013; fósseis têm cerca de 280 mil anos, dez vezes menos que o estimado com base em seus traços primitivos
Fábio de Castro, O Estado de S.Paulo
09 Maio 2017 | 12h00

SÃO PAULO - Depois de muita dificuldade, um grupo de cientistas finalmente realizou a datação de fósseis do Homo naledi, uma espécie extinta do gênero Homo, linhagem que culminou com o aparecimento dos humanos modernos. O resultado foi surpreendente: os fósseis têm entre 335 mil e 236 mil anos e, portanto, são pelo menos 2 milhões de anos mais novos do que indicavam as estimativas anteriores dos pesquisadores.

Em 2013, os fósseis do Homo naledi - mais de 1550 fragmentos de 15 indivíduos - foram descobertos na caverna Rising Star, na África do Sul. Em agosto de 2015, cientistas os descreveram pela primeira vez. 

Obter a datação dos espécimes era uma tarefa extremamente difícil, mas, por conta de diveras características primitivas, os pesquisadores acreditavam que eles haviam vivido há cerca de 2,5 milhões de anos - um período intermediário entre os últimos Australopithecus e os mais antigos membros do gênero Homo, como o Homo habilis.

Agora, em um novo estudo publicado nesta terça-feira, 9, na revista científica eLife, os pesquisadores finalmente revelaram que os espécimes de Homo naledi descobertos na caverna viveram há no máximo 335 mil anos atrás.

Segundo os autores, isso coloca o hominídeo - que pode ter sido extinto bem mais tarde - como provável contemporâneo do Homo sapiens, que surgiu há cerca de 200 mil anos. 


De acordo com os pesquisadores, é a primeira vez que se tem evidências de que uma outra espécie de hominídeo conviveu lado a lado com os humanos na África, onde surgiu o gênero. O Homo neanderthalensis chegou a conviver com o Homo sapiens, mas bem mais tarde, na Europa e na Ásia ocidental.
Crânio de Neo, um dos três esqueletos de 'Homo naledi' encontrados na Câmara Lesedi, uma nova galeria descoberta  na caverna Rising Star, na África do Sul Foto: Wits University/John Hawks
Além de descrever a difícil tarefa de datação dos fósseis, o estudo revela que a caverna Rising Star é na realidade um sistema de cavernas maior do que se pensava - e que ali foi descoberta uma nova galeria com mais os fósseis de três novos indivíduos da espécie Homo naledi - um deles de uma criança. 

Um dos fósseis de adultos encontrados na nova câmara da caverna - batizado de Neo - está excepcionalmente completo, de acordo com os autores do estudo, que foram liderados pelo antropólogo John Hawks, da Universidade de Wisconsin-Madison (Estados Unidos) e pelo paleoantropólogo Lee Berger, da Univesidade Witwatersrand (África do Sul).
A nova galeria foi batizada de Câmara Lesedi e fica a cerca de 100 metros da Câmara Dinaledi, onde haviam sido encontrados os fósseis de 15 indivíduos em 2013. O acesso à nova câmara é extremamente difícil: para escavá-la, os paleontólogos precisaram rastejar, escalar e se espremer em túneis claustrofóbicos e escuros.
Segundo Hawks, o fato de ter encontrado mais indivíduos em uma câmara de difícil acesso leva a crer que o Homo naledi tenha escondido seus mortos - um comportamento surpreendente que sugere grande inteligência e, possivelmente, indica as primeiras centelhas de uma cultura.

"Isso provavelmente dá mais peso à hipótese de que o Homo naledi usava locais escuros e remotos para esconder seus mortos. As chances de algo semelhante ter ocorrido mais de uma vez por acaso são mínimas", disse Hawks. De acordo com o estudo, estima-se que a criança encontrada entre os três novos espécimes de Homo naledi tenha morrido com menos de cinco anos de idade. Ela é representada por ossos da cabeça e do corpo. Um dos adultos foi identificado apenas por uma mandíbula e pelos ossos das pernas.
O esqueleto do terceiro indivíduo, apelidado de Neo ("dádiva", no idioma Sesotho), é notavelmente completo. O crânio foi totalmente reconstruído, fornecendo um retrato muito mais completo da espécie, segundo os pesquisadores.
"O esqueleto de Neo é um dos mais completos descobertos até hoje. Tecnicamente, é mais completo que a famosa Lucy (fóssil de Australopithecus afarensis, que viveu há 3,1 milhões de anos e foi desenterrada na Etiópia em 1974), considerando a preservação do crânio e da mandíbula", disse Berger.
O crânio do novo esqueleto contém a maior parte da face, incluindo os delicados ossos da região interna dos olhos e do nariz, segundo Hawks, que é especialista em hominídeos primitivos.
"Alguns dos novos ossos adicionam detalhes novos em relação a tudo o que já vimos antes. O esqueleto de Neo tem uma clavícula completa e um fêmur quase completo. Isso ajuda a confirmar o que sabíamos sobre o tamanho e a estatura do Homo naledi: que ele caminhava de forma tão eficiente como subia em árvores. As vértebras estão maravilhosamente preservadas e são singulares - elas têm um formato que só havíamos encontrado em Neanderthais", explicou Hawks.

Combinados, os esqueletos do Homo naledi dão à ciência o registro mais completo até hoje de uma espécie de hominídeo, excetuando-se o Homo sapiens e o Homo neanderthalensis.
"Com os novos fósseis da Câmara Lesedi, agora temos cerca de 2 mil fragmentos do Homo naledi, representando os esqueletos de pelo menos 18 indivíduos, no total. Há mais espécimes de Homo naledi do que de qualquer outra espécie extinta de hominídeos, exceto os Neanderthais", afirmou Hawks.

A ideia de que o Homo naledi escondia os cadáveres de seus mortos em câmaras subterrâneas de difícil acesso só tem paralelo entre os Neanderthais, segundo o cientista. Em uma caverna profunda da Espanha, conhecida como Sima de los Huesos, há evidências de que, há 400 mil anos, os Neanderthais escondiam os corpos de seus companheiros mortos.

"O que há de mais provocativo em relação ao Homo naledi é que os cérebros dessas criaturas tinham um terço do tamanho dos nossos. Eles claramente não são humanos, embora pareçam compartilhar um aspecto muito profundo do nosso comportamento, que é um cuidado com outros indivíduos, que continua a após a morte deles. Parece-me que estamos começando a ver as raízes mais profundas das práticas culturais humanas", afirmou Hawks.

Acesso complicado. Membro da equipe que descobriu os primeiros fósseis do Homo naledi na caverna Rising Star, a paleoantropóloga canadanse Marina Elliott, da Univesidade Witwatersrand fez parte também da equipe de exploradores que descobriu a Câmara Lesedi.
"Acessar a Câmara Lesedi é ainda ligeiramente mais fácil que chegar à Câmara Dinaledi. Depois de se espremer por uma passagem de cerca de 25 centímetros, você tem que subir e descer por passagens verticais antes de chegar à câmara. Embora o acesso seja um pouco mais fácil, trabalhar na Câmara Lesedi é mais difícil, por causa dos apertados espaços ali dentro", contou Marina.
Para Hawks, dizer que entrar na Câmara Lesedi é "um pouco mais fácil" que penetrar na Câmara Dinaledi é algo muito relativo. Segundo ele, Lee Berger ficou preso na Câmara Lesedi em 2014 e precisou ser puxado para fora com cordas atadas a seus pulsos. 
"Eu nunca entrei em nenhuma das duas câmaras - e nem vou entrar. Eu assisti quando Lee ficou entalado na passagem por quase uma hora, tentando sair de um estreito gargalo subterrâneo na Câmara Lesedi", contou Hawks. 



Reconstrução de hominídeos (OBS: Na page existem 15 hominídeos no total, link abaixo)
Datação difícil. Além da dificuldade para trabalhar nas cavernas, os cientistas tiveram que superar grandes desafios para fazer a datação dos espécimes ali encontrados. A equipe utilizou uma combinação de técnicas de datação por luminescência opticamente estimulada com Urânio e Tório, com técnicas de análise paleomagnética para estabelecer como os sedimentos se relacionam à escala temporal geológica na Câmara Dinaledi.

Para conseguir uma avaliação final, eles realizaram a datação direta dos dentes do Homo naledi, utilizando uma combinação de datação por séries radioativas de urânio (U-series) e datação por ressonância de spin eletrônico (ESR).

"É claro que ficamos surpresos com uma datação tão recente, mas nós percebemos que todas as formações geológicas na câmara eram novas. Os resultados de U-series e de ESR acabaram sendo menos surpreendentes no fim do trabalho", contou Eric Roberts, da Universidade James Cook (Austrália) e da Universidade Witwatersrand, um dos poucos geólogos que já entraram na Câmara Dinaledi - a rampa de entrada tem uma passagem de apenas 18 centímetros de largura.