segunda-feira, 20 de março de 2017

Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial - 21 de Março


O Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1963, e é celebrado sempre no dia 21 de março, em referência ao Massacre de Sharpeville, na África do Sul. Neste dia, em 1960, mais de 20.000 pessoas faziam um protesto contra a “Lei do Passe”, que restringia as áreas por onde os negros (maioria da população do país) podiam circular nas cidades. A polícia, agindo a mando do governo racista do Apartheid, atacou os manifestantes e 69 pessoas foram mortas e outras 186 ficaram feridas. Em memória ao massacre, a Assembleia Geral da ONU consagrou a data à luta contra o racismo e todas as formas de discriminação.

Segundo as Nações Unidas, discriminação racial significa:

"Qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos, e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública".

Embora a Bioantropologia, há muito, tenha demonstrado que não existem “raças” humanas biologicamente distintas, a discriminação racial continua a existir, é praticada no cotidiano e sentida na pele por muitos brasileiros e estrangeiros que aqui moram. É necessário (re)conhecer todas as suas formas, as vezes sutis, as vezes abertas, para que se possa combatê-la onde e como ela se manifeste. Na sociedade em geral, bem como na Universidade, a discriminação sociorracial está presente, e dificulta enormemente o cotidiano de todos e todas os que dela são vítimas.

O Artigo 1º da Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial afirma que:

A discriminação entre seres humanos com base na raça, cor ou origem étnica constitui um atentado à dignidade humana e deverá ser condenada enquanto negação dos princípios da Carta das Nações Unidas, bem como enquanto violação dos direitos humanos e liberdades fundamentais proclamados na Declaração Universal dos Direitos do Homem, obstáculo às relações amistosas e pacíficas entre as nações e fato susceptível de perturbar a paz e segurança entre os povos.

O Brasil é um dos signatários da Declaração da ONU e também da Declaração de Durban (África do Sul), resultante da III Conferência Mundial Contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas, no entanto, muito ainda precisa ser feito para colocar em prática os seus mandatos.

Texto: Hilton P Silva - Coordenador da Casa Brasil-África - UFPA.




sexta-feira, 10 de março de 2017

DNA de placa nos dentes revela que Neanderthal usava 'aspirina'

Abscesso dentário mostra que há 40 mil anos eles já usavam plantas medicinais como antibióticos e analgésicos; estudo também mostra que Neanderthais da Bélgica comiam rinocerontes, enquanto os da Espanha eram vegetarianos.
Fábio de Castro
O Estado de S. Paulo
08 Março 2017 | 16h17

Depois de estudar geneticamente a placa bacteriana encontrada nos dentes de homens de Neanderthal, um grupo de cientistas conseguiu desvendar novos aspectos sobre a dieta e o comportamento dos mais próximos parentes extintos dos humanos - incluindo um surpreendente conhecimento sobre plantas medicinais. 
Mandíbula superior de um homem de Neanderthal encontrada em caverna de El Sidrón, na Espanha; este indivíduo apresentava um abcesso dentário em um dos molares e a análise das bactérias ali depositadas revelou que ele também tinha uma doença gastrointestinal, cujos sintomas eram tratados com álamo - uma fonte natural do princípio ativo da aspirina - e vegetação com mofos que incluíam o fungo Penicillium, um antibiótico natural. Foto: Paleoanthropology Group MNCN-CSIC.
Além de diferenças regionais na dieta dos Neanderthais, com níveis distintos de consumo de carne, a pesquisa revelou que alguns deles se medicavam com álamo, uma planta que contém ácido salicílico - o princípio ativo da aspirina - e com Penicillium, um gênero de fungo antibiótico.
O novo estudo, publicado nesta quarta-feira, 8, na revista Nature, foi realizado por uma equipe internacional liderada por cientistas da Universidade de Adelaide (Austrália) e da Universidade de Liverpool (Reino Unido).
De acordo com a autora principal do artigo, Laura Weyrich, estudos anteriores sobre a dieta dos Neanderthais já indicavam que sua variedade dependia da disponibilidade local de alimentos. Mas essas pesquisas forneciam poucos dados sobre animais e plantas que eles consumiam.
"As placas bacterianas dos dentes confinam os micro-organismos que viviam na boca e nos tratos respiratórios e gastrointestinais - além de restos de comida presos nos dentes -, preservando seu DNA por milhares de anos", disse Laura, que é pesquisadora do Centro Australiano de DNA Antigo  (ACAD, na sigla em inglês) da Universidade de Adelaide.
"A análise genética do DNA pregado na placa dentária é uma janela única para observarmos o estilo de vida Neanderthal e nos revela novos detalhes sobre o que eles comiam, qual o estado de saúde deles e qual o impacto do ambiente em seus comportamentos", afirmou a pesquisadora.
Vegetarianos e carnívoros. Os cientistas analisaram e compararam amostras de placas bacterianas dentárias de quatro homens de Neanderthal encontrados nas cavernas de Spy, na Bélgica e nas cavernas de El Sidrón, na Espanha. As idades das quatro amostras variam entre 42 mil anos e 50 mil anos. Segundo os autores, são as mais antigas placas dentárias já analisadas geneticamente.

"Descobrimos que os Neanderthais da Bélgica comiam carne de rinoceronte e de ovelhas selvagens, além de cogumelos. Na Espanha, porém, não há nenhum vestígio de consumo de carne, apenas de uma dieta totalmente vegetariana, incluindo pinhões, musgo, cogumelos e cascas de árvore", disse Alan Cooper, também autor do artigo e pesquisador do ACAD.
Paleontólogas trabalham na caverna Túnel de Ossos, em El Sidrón, na Espanha, onde foram encontrados 12 espécimes de homens de Neanderthal que viveram há cerca de 49 mil anos. Foto: Paleoanthropology Group MNCN-CSIC/Antonio Rosas.

Uma das descobertas mais surpreendentes, segundo os cientistas, ocorreu quando eles identificaram um homem de Neanderthal de El Sidrón, que sofria de um abscesso dental visível na mandíbula.
Antibiótico e analgésico. "A análise da placa mostrou que ele também sofria com um parasita intestinal que causava diarreia aguda. Claramente ele estava bem doente. Descobrimos que ele comia álamo, que contém o analgésico ácido salicílico - o ingrediente ativo da aspirina. Também detectamos o uso de Penicillium - um bolor antibiótico natural -, que não foi encontrado nos outros espécimes", contou Cooper.
Segundo Cooper, aparentemente os homens de Neanderthal se automedicavam e possuíam um bom conhecimento sobre plantas medicinais e sobre suas diversas propriedades analgésicas e anti-inflamatórias.
"O uso de antibióticos seria muito surpreendente, levando em conta que eles viveram mais de 40 mil anos antes do desenvolvimento da penicilina. Com certeza nossas descobertas contrastam muito com a visão simplista que a imaginação popular tem dos nossos mais antigos parentes", disse Cooper.


sábado, 18 de fevereiro de 2017

Resultado do Processo Seletivo para os cursos de Mestrado e Doutorado do PPGA/2017

O Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA) da Universidade Federal do Pará, por meio da Comissão Examinadora divulgou, no dia 17/02/2017, a relação dos candidatos aprovados no Processo Seletivo 2017 para os cursos de MESTRADO e DOUTORADO. Os resultados estão disponíveis no site do PPGA/UFPA. Os links para os resultados seguem abaixo:


Link para a lista de aprovados para o curso de Mestrado PS/PPGA/2017:



Link para a lista de aprovados para o curso de Doutorado PS/PPGA/2017:



O Blog Bioantropologia na Amazônia parabeniza aos aprovados e dá boas-vindas aos novos mestrandos e doutorandos do PPGA/UFPA.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

I Simpósio de Bioantropologia do ICB/UFPA

I Seminário de Bioantropologia do Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal do Pará - 
ICB/UFPA, dia 07 de Fevereiro de 2017 - 09h às 18h. 
Inscrições abertas!


Inscrições pelo e-mail: 


Valor: R$ 5,00

Conta pra Depósito: 70.389-3    Agência: 1232-7

Local: Auditório Arlindo Pinto - ICB/UFPA.

Tod@s estão convidados!! 

OBS: A palestra de 14h45 às 15h30 será apresentada pela Mestre Maíra Fernanda T. Melo, com o tema: "Saberes locais e estratégias de caça na Comunidade Quilombola de Bairro Alto, Ilha do Marajó, PA".

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Convite - Café com Ciência: A Arqueologia no Cotidiano Paraense

Convite - Café com Ciência: 
A Arqueologia no cotidiano paraense: percepções acerca da visibilidade e das apropriações do patrimônio arqueológico amazônico", com Prof.ª Dr.ª Renata Godoy (PPGA/UFPA).


terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Nova Página do LEBIOS/UFPA no Facebook

O Laboratório de Estudos Bioantropológicos em Saúde e Meio Ambiente - LEBIOS (UFPA) está com uma nova página de acesso no Facebook. A page tem como objetivo divulgar amplamente os projetos de pesquisas, eventos, seminários e demais atividades do LEBIOS. 


Luzia, a primeira brasileira. A ancestral mais antiga das Américas, com 11.500 anos.
Imagem (provisória) do perfil da page do LEBIOS.

Árvore evolutiva do Gênero Homo. Capa da página do LEBIOS no Facebook.
No espaço em questão, podemos ver a divulgação, por exemplo, do I Simpósio de Bioantropologia (imagem abaixo) que será no dia 07 de Fevereiro de 2017, no Auditório Arlindo Pinto (ICB), de 09h00 às 18h00, organizado pelo Centro Acadêmico de Ciências Biológicas - CABIO-UFPA, com o apoio do LEBIOS e do Programa de Pós Graduação em Antropologia - PPGA/UFPA, com um valor simbólico de inscrição destinado ao CABIO. 
Folder de divulgação do I Simpósio de Bioantropologia do CABIO-UFPA

E-mail para inscrição: cabioufpa.inscricoes@gmail.com

Vamos participar? 


Maiores informações na página do LEBIOS, link:

Sigam-nos!
Hilton P Silva
Coordenador do LEBIOS