Defesa de Qualificação Sobre Bioantropologia do Desenvolvimento na Amazônia



Nesta terça feira, dia 16 de dezembro, às 9:00 h, em ambiente virtual, ocorrerá a defesa de qualificação ao doutorado no campo de bioantropologia de Ana Carolina Brito. O trabalho intitulado "Do Corpo ao Cotidiano: pobreza multidimensional, crescimento, rotinas e cuidados na primeira infância em Belém, Pará", é um dos resultados do Projeto Microbioma ("Ecoculturing the Infant Gut Microbiome") (https://bioantropologiaufpa.blogspot.com/2023/),(https://www.instagram.com/projetomicrobioma/)
,iniciativa que investiga como a cultura e o ambiente impactam o desenvolvimento e a saúde do microbioma intestinal infantil.

Ana é doutoranda no Programa de Pós Graduação em Antropologia da UFPA (PPGA-UFPA) e sua pesquisa versa sobre os efeitos da pobreza multidimensional no crescimento e nas rotinas de cuidado na primeira infância de crianças amazônidas. Ela esteve diretamente envolvida na coleta de dados do Projeto Microbioma e agora apresenta os resultados preliminares do seu trabalho para avaliação da comunidade científica e acadêmica.

Acompanhe a qualificação pelo link: https://meet.google.com/skn-izcq-oiu

Resumo do Projeto:

Esta tese investiga como a pobreza multidimensional como experiência de adversidade influencia o crescimento físico e as rotinas de cuidado nos dois primeiros anos de vida, em Belém, Pará. A partir da abordagem biocultural, que integra dimensões sociais, materiais e relacionais do cotidiano de famílias com crianças pequenas, a proposta parte do pressuposto de que a infância é vivida em contextos concretos de desigualdade, e que práticas de cuidado, como rotinas, maternagem, suporte social e estratégias de proteção, constituem respostas culturalmente situadas às condições de vida. Assim, a tese combina análise qualitativa e quantitativa para compreender o cotidiano do cuidado e os padrões antropométricos das crianças, especialmente em situações de pobreza multidimensional. O primeiro artigo investigou a associação entre pobreza multidimensional, concebida como experiência adversa, e o crescimento físico infantil nos primeiros dois anos de vida em Belém, Pará. Foram acompanhadas 187 crianças (n variando entre 187 e 132) em sete momentos, do nascimento aos 24 meses. Peso e comprimento foram aferidos em cada momento e convertidos em escores z conforme os padrões da OMS (WHO Anthro). Um índice de adversidade familiar foi desenvolvido a partir do Índice de Pobreza Multidimensional e do Adverse Childhood Experiences (ACEs). Modelos mistos longitudinais foram ajustados às medidas antropométricas, considerando sexo, rodada e índice de adversidade como covariáveis. Os resultados preliminares indicam que as crianças estudadas apresentam um bom padrão de crescimento, com valores médios de escores z próximos ao esperado para a referência da OMS e ausência de diferenças significativas entre sexos e entre níveis de adversidade. Os resultados apontam que as mães atuam como protetoras (buffers) mobilizando estratégias de proteção para mitigar os efeitos das adversidades cotidianas, contribuindo para estabilidade do cuidado e auxiliando a explicar, em parte, os padrões positivos de crescimento identificados. Ao integrar crescimento e interpretações sobre o cotidiano das famílias, a tese propõe compreender o crescimento infantil e as rotinas de cuidado como fenômenos bioculturais, moldado simultaneamente por condições de vida e pelo trabalho relacional do cuidado e proteção materna.

Palavras-chaves: saúde infantil; adversidade; proteção materna; biocultural



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