Defesa de Qualificação Sobre Bioantropologia do Desenvolvimento na Amazônia
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Resumo do Projeto:
Esta tese investiga como a pobreza
multidimensional como experiência de adversidade influencia o crescimento
físico e as rotinas de cuidado nos dois primeiros anos de vida, em Belém, Pará.
A partir da abordagem biocultural, que integra dimensões sociais, materiais e
relacionais do cotidiano de famílias com crianças pequenas, a proposta parte do
pressuposto de que a infância é vivida em contextos concretos de desigualdade,
e que práticas de cuidado, como rotinas, maternagem, suporte social e
estratégias de proteção, constituem respostas culturalmente situadas às
condições de vida. Assim, a tese combina análise qualitativa e quantitativa
para compreender o cotidiano do cuidado e os padrões antropométricos das
crianças, especialmente em situações de pobreza multidimensional. O primeiro
artigo investigou a associação entre pobreza multidimensional, concebida como
experiência adversa, e o crescimento físico infantil nos primeiros dois anos de
vida em Belém, Pará. Foram acompanhadas 187 crianças (n variando entre 187 e
132) em sete momentos, do nascimento aos 24 meses. Peso e comprimento foram
aferidos em cada momento e convertidos em escores z conforme os padrões
da OMS (WHO Anthro). Um índice de adversidade familiar foi desenvolvido
a partir do Índice de Pobreza Multidimensional e do Adverse Childhood
Experiences (ACEs). Modelos mistos longitudinais foram ajustados às medidas
antropométricas, considerando sexo, rodada e índice de adversidade como
covariáveis. Os resultados preliminares indicam que as crianças estudadas
apresentam um bom padrão de crescimento, com valores médios de escores z
próximos ao esperado para a referência da OMS e ausência de diferenças
significativas entre sexos e entre níveis de adversidade. Os resultados apontam
que as mães atuam como protetoras (buffers) mobilizando estratégias de
proteção para mitigar os efeitos das adversidades cotidianas, contribuindo para
estabilidade do cuidado e auxiliando a explicar, em parte, os padrões positivos
de crescimento identificados. Ao integrar crescimento e interpretações sobre o
cotidiano das famílias, a tese propõe compreender o crescimento infantil e as
rotinas de cuidado como fenômenos bioculturais, moldado simultaneamente por
condições de vida e pelo trabalho relacional do cuidado e proteção materna.
Palavras-chaves: saúde infantil; adversidade; proteção materna; biocultural
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