O Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha

Estátuas em homenagem a Lélia Gonzalez e Carolina Maria de Jesus no Parque Municipal de Belo Horizonte. Foto: Ana Carolina.

Dia 25 de julho é comemorado como o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha. A data remete ao 1º encontro de Mulheres Negras, Latino-Americanas e Caribenhas, realizado na República Dominicana, em 1992.

A luta dessas mulheres pelo reconhecimento da data, movimentou as estruturas necessárias para ampliar o combate ao racismo, machismo e classismo na América Latina e Caribe.

No Brasil, hoje é o dia Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Tereza assumiu a liderança do Quilombo do Piolho, localizado na atual cidade de Cuiabá, MT, após a morte de seu marido, e se tornou um símbolo da luta contra a escravização, resistindo duas décadas. Rainha Tereza, como ficou conhecida, é um símbolo da luta pelos direitos das pessoas negras no Brasil e inspira todas as mulheres a continuar resistindo e ocupando espaços, no meu caso, dentro das universidades, que ainda permanecem majoritariamente masculinas e brancas, especialmente entre os docentes.

Ao participar da 34° Reunião Brasileira de Antropologia, em Belo Horizonte, MG, para apresentar o trabalho “Como a mãe sabe que o seu bebê está bem? Uso de antropometria e comportamento infantil pelas mães da Amazônia urbana”, no GT 007 Antropologia Biológica e interfaces biologia e cultura: história, pesquisas atuais e perspectivas futuras, pude perceber a diversidade de corpos, gêneros, cores e lugares ocupados por mulheres negras antropólogas no país. Entretanto, é evidente que ainda falta muito para diminuir as desigualdades étnico-raciais nas Universidades e nos eventos acadêmicos. Porém, acredito que cada conquista é um novo gás para lutar por mais direitos.

Nestes dias, tive a oportunidade de visitar as estátuas em homenagem à Lélia Gonzalez e Carolina Maria de Jesus, localizadas no parque municipal de BH. Mineiras, essas mulheres mudaram a forma de enxergar a minha própria existência dentro e fora da academia. Lélia, antropóloga e política, escreveu livros sobre amefricanidade e a luta antirracista no Brasil e na América Latina. Uma frase de Lélia que me inspira é " (...) ir à luta e garantir nossos espaços, que evidentemente, nunca nos foram concedidos".

Carolina Maria, por sua vez, ao escrever seu diário, narrando o cotidiano da favela, em cadernos encontrados no lixo, me inspirou a modificar minha tese de doutorado. Pude perceber o marco atemporal da sua vida: ainda existem muitas Carolinas no Brasil. Eu mesma conheço inúmeras, lutando pela sua sobrevivência e dos seus, em quartos de despejos.

Que a luta de Tereza, Lélia, Carolina e de tantas mulheres negras que abriram os caminhos enfrentando o racismo e o machismo nos faça mais fortes para enfrentar o hoje e o porvir.

Por: Ana Carolina da Silva Brito de Azevedo. Doutoranda em Bioantropologia do PPGA.

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