Pesquisador do LEBIOS Defende Tese Sobre Idosos e Fragilidade na Amazônia
![]() |
| Professor José Guilherme do PPGAA, Elton, Professora Celina (Orientadora, PPGTCP/UFPA), Professora Paula Palheta (UFPA), Professora Jeysiane Brito (UFPA) e Manuela Rocha (UFPA) |
![]() |
| Prof. Elton apresentando sua tese perante a banca examinadora |
Resumo:
SOUSA, E.V.O. (2026). Síndrome da
Fragilidade, Estilo de Vida e Bem-estar subjetivo em idosos quilombolas:
dinâmicas bioculturais no município de castanhal-pa. Tese de Doutorado.
Programa de Pós-Graduação em Teoria e Pesquisa do Comportamento. Belém-PA:
Universidade Federal do Pará, 179 páginas.
A presente tese objetivou
analisar a prevalência e as manifestações da Síndrome da Fragilidade e suas
interações com os indicadores subjetivos de bem-estar: qualidade de vida,
satisfação com a vida e estilo de vida na população quilombola do município de Castanhal-Pa.
Realizou-se uma pesquisa de caráter explicativo-correlacional com 87 pessoas
idosas de ambos os sexos, com média etária de 69,76 ± 7,52 anos.
Estruturalmente, a tese está organizada em quatro estudos empíricos. O primeiro
buscou descrever o modo de vida territorializado. O segundo, descrever as
características demográficas e socioeconômicas, em que se identificou que a
amostra é formada predominantemente por mulheres na grande faixa etária de 60-69
anos. São pessoas que se autodeclaram de cor parda (63,22%) e preta (27,59%),
casados (60,9%), com média de 2 a 4 filhos (52,87%); escolaridade 1ª a 4ª série
do ensino fundamental; renda pessoal e familiar de 1 a 2 salários, aposentados
(85,1%); chefia familiar (80,5%); proprietário do domicílio (65,4%); católicos
71,3%. O envelhecimento na comunidade apresenta disparidades de gênero: os
homens envelhecem majoritariamente na condição de casados (82,9%) e contam com
o cuidado das esposas, enquanto as mulheres enfrentam maior taxa de viuvez
(28,8%), coabitando com os filhos para assegurar o apoio familiar. O terceiro
estudo caracterizou os níveis de bem-estar subjetivo por meio da avaliação da
qualidade, satisfação e o estilo de vida, mapeando os marcadores de resiliência
biocultural, suporte social e espiritualidade característicos do território
quilombola. Constatou-se que, apesar da altas taxas de comorbidades: 72,9%
hipertensos; 50,8% diabéticos e com dependência leve nas atividades
instrumentais da vida diária, as mulheres foram sete vezes mais dependentes em
relação aos homens para realizar compras, mas os participantes mantêm uma
percepção positiva da qualidade e satisfação com a vida. Esse achado é
justificado, no estudo, pela formação de um comportamento resiliente, atrelado
ao pertencimento territorial, que tem sustentado a autonomia desses idosos ao
longo do curso de vida, corroborado pela avaliação do estilo de vida da
amostra, marcado por fortes laços sociais, embora demande uma especial atenção
aos cuidados preventivos e melhorias na infraestrutura assistencial. O quarto
estudo, destinou-se a analisar a prevalência da Síndrome da Fragilidade e
correlacionar os marcadores clínicos da fragilidade com os indicadores
psicossociais: qualidade de vida, satisfação com a vida e o estilo de vida,
revelando que a população idosa quilombola é marcadamente pré-frágil (58,62%),
com expressiva sobrecarga no segmento feminino (71,15%), decorrente do acúmulo
histórico de desvantagens socioestruturais. A sensação de cansaço ou exaustão
autorreferida (33,33%), redução da força muscular (25,29%) e o baixo nível de
atividade física, configuraram-se como os principais marcadores de desgaste
físico, impulsionados pela dependência em atividades instrumentais de vida
diária (AIVD), que elevou em 53 vezes a chance de fragilização (OR 53,00
p<0,001), agravados pelo baixo peso (OR=11,59), sarcopenia (OR = 7,63) e
inatividade física (OR = 16,87). Não obstante, as variáveis de bem-estar
subjetivo não se associaram à fragilidade física (p>0,05), revelando um
paradoxo ancorado na resiliência psicossocial, na ancestralidade e no suporte
comunitário. Em contrapartida, a velocidade de marcha esteve preservada em
93,10% da amostra, consolidando-se como ativo biocultural protetor e uma
‘janela’ de oportunidade singular frente ao alarmante déficit no comportamento
preventivo (74,71%).


Comentários
Postar um comentário