Pesquisador do LEBIOS Defende Tese Sobre Idosos e Fragilidade na Amazônia


Professor José Guilherme do PPGAA, Elton, Professora Celina (Orientadora, PPGTCP/UFPA), Professora Paula Palheta (UFPA), Professora Jeysiane Brito (UFPA) e Manuela Rocha (UFPA)

O professor Elton Vinícius Oliveira de Sousa, do Campus da UFPA de Castanhal, pesquisador do LEBIOS, defendeu nesta quarta-feira, dia 30 de setembro, a sua tese de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Teoria e Pesquisa do Comportamento da UFPA, com a orientação do professora Dra. Celina Maria Colino Magalhães. A tese, intitulada: “Síndrome da Fragilidade, Estilo de Vida e Bem Estar Subjetivo em Idosos Quilombolas: dinâmicas bioculturais no município de Castanhal, PA”, foi defendida publicamente diante da banca examinadora composta pelos Profs. Drs. Ítalo Sérgio Lopes Campos (coorientador – UFPA), a Profª Drª Jeisiane dos Santos Lima (membro titular – UFPA), a Profª Drª Manuela Lima Carvalho da Rocha (membro titular 2 – UFPA), o Profº Drº José Guilherme dos Santos Fernades (membro titular 3 - UFPA) e a Profª Drª Paula Danielle Palheta Carvalho (membro titular 4 – UFPA). A tese foi aprovada por unanimidade pela banca.

Prof. Elton apresentando sua tese perante a banca examinadora

A pesquisa faz uma abordagem bioantropológica e sócio-ecológica, com uma análise psicossocial, de uma população quilombola paraense, dando continuidade ao conjunto de estudos realizados pelo grupo do LEBIOS ao longo de mais de uma década com as populações rurais vulnerabilizadas da região amazônica, mas enfocando as pessoas idosas, tema já abordado pelo Prof. Elton em sua dissertação (https://bioantropologiaufpa.blogspot.com/2012/05/bioantropologia-e-envelhecimento.html , https://bioantropologiaufpa.blogspot.com/2013/08/lancamento-do-livro-por-terra-ceu-e-mar.html).

Resumo:

SOUSA, E.V.O. (2026). Síndrome da Fragilidade, Estilo de Vida e Bem-estar subjetivo em idosos quilombolas: dinâmicas bioculturais no município de castanhal-pa. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Teoria e Pesquisa do Comportamento. Belém-PA: Universidade Federal do Pará, 179 páginas.

A presente tese objetivou analisar a prevalência e as manifestações da Síndrome da Fragilidade e suas interações com os indicadores subjetivos de bem-estar: qualidade de vida, satisfação com a vida e estilo de vida na população quilombola do município de Castanhal-Pa. Realizou-se uma pesquisa de caráter explicativo-correlacional com 87 pessoas idosas de ambos os sexos, com média etária de 69,76 ± 7,52 anos. Estruturalmente, a tese está organizada em quatro estudos empíricos. O primeiro buscou descrever o modo de vida territorializado. O segundo, descrever as características demográficas e socioeconômicas, em que se identificou que a amostra é formada predominantemente por mulheres na grande faixa etária de 60-69 anos. São pessoas que se autodeclaram de cor parda (63,22%) e preta (27,59%), casados (60,9%), com média de 2 a 4 filhos (52,87%); escolaridade 1ª a 4ª série do ensino fundamental; renda pessoal e familiar de 1 a 2 salários, aposentados (85,1%); chefia familiar (80,5%); proprietário do domicílio (65,4%); católicos 71,3%. O envelhecimento na comunidade apresenta disparidades de gênero: os homens envelhecem majoritariamente na condição de casados (82,9%) e contam com o cuidado das esposas, enquanto as mulheres enfrentam maior taxa de viuvez (28,8%), coabitando com os filhos para assegurar o apoio familiar. O terceiro estudo caracterizou os níveis de bem-estar subjetivo por meio da avaliação da qualidade, satisfação e o estilo de vida, mapeando os marcadores de resiliência biocultural, suporte social e espiritualidade característicos do território quilombola. Constatou-se que, apesar da altas taxas de comorbidades: 72,9% hipertensos; 50,8% diabéticos e com dependência leve nas atividades instrumentais da vida diária, as mulheres foram sete vezes mais dependentes em relação aos homens para realizar compras, mas os participantes mantêm uma percepção positiva da qualidade e satisfação com a vida. Esse achado é justificado, no estudo, pela formação de um comportamento resiliente, atrelado ao pertencimento territorial, que tem sustentado a autonomia desses idosos ao longo do curso de vida, corroborado pela avaliação do estilo de vida da amostra, marcado por fortes laços sociais, embora demande uma especial atenção aos cuidados preventivos e melhorias na infraestrutura assistencial. O quarto estudo, destinou-se a analisar a prevalência da Síndrome da Fragilidade e correlacionar os marcadores clínicos da fragilidade com os indicadores psicossociais: qualidade de vida, satisfação com a vida e o estilo de vida, revelando que a população idosa quilombola é marcadamente pré-frágil (58,62%), com expressiva sobrecarga no segmento feminino (71,15%), decorrente do acúmulo histórico de desvantagens socioestruturais. A sensação de cansaço ou exaustão autorreferida (33,33%), redução da força muscular (25,29%) e o baixo nível de atividade física, configuraram-se como os principais marcadores de desgaste físico, impulsionados pela dependência em atividades instrumentais de vida diária (AIVD), que elevou em 53 vezes a chance de fragilização (OR 53,00 p<0,001), agravados pelo baixo peso (OR=11,59), sarcopenia (OR = 7,63) e inatividade física (OR = 16,87). Não obstante, as variáveis de bem-estar subjetivo não se associaram à fragilidade física (p>0,05), revelando um paradoxo ancorado na resiliência psicossocial, na ancestralidade e no suporte comunitário. Em contrapartida, a velocidade de marcha esteve preservada em 93,10% da amostra, consolidando-se como ativo biocultural protetor e uma ‘janela’ de oportunidade singular frente ao alarmante déficit no comportamento preventivo (74,71%).

O LEBIOS parabeniza o Prof. Elton por mais este importante avanço em sua carreira acadêmica.

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