Pesquisadores do PPGSAS/UFPA e PPGA/UFPA Publicam Novo Artigo Sobre Vulnerabilidades em Saúde e Nutrição entre os Warao em Belém

Capa do volume 17, número 1, 2026 do periódico Mundo Amazónico.

É com imenso prazer que anunciamos que foi recentemente publicado no periódico Mundo Amazónico (Volume 17, Número 1, 2026) o artigo intitulado "Vulnerabilidades e perspectivas sobre a situação de saúde e nutrição dos Warao em Belém, Amazônia, Brasil", de autoria de Renanda G. S. Bezerra, Hilton P. Silva e Karoline B. O. Barroso. 
 
Renanda G. S. Bezerra é Nutricionista e Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Saúde, Ambiente e Sociedade na Amazônia (PPGSAS/UFPA) e desenvolve estudos conectando nutrição às dimensões sociais e ambientais que influenciam nos padrões alimentares de populações vulneráveis da região amazônica. Hilton P. Silva é pesquisador e docente vinculado ao Programa de Pós Graduação em Antropologia (PPGA/UFPA), ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva na Amazônia (PPGSCA/UFPA), ao Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares da Universidade de Brasília (CEAM/UnB), Pesquisador Colaborador do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde da Universidade de Coimbra (CIAS/UC), em Portugal, além de coordenador do Laboratório de Estudos Bioantropológicos em Saúde e Meio Ambiente (LEBIOS/UFPA) que foi parceiro central na ação que gerou dados empíricos para o estudo. Karoline B. O. Barroso é mestranda de bioantropologia no Programa de Pós Graduação em Antropologia (PPGA/UFPA) sob a orientação do Prof. Dr. Hilton P. Silva e contribuiu para o estudo com perspectivas antropológicas voltadas para a compreensão das especificidades culturais e sociais dos povos Warao em contexto migratório na Amazônia.

O estudo traz importantes contribuições para o tema da saúde e nutrição na Amazônia analisando a situação de vulnerabilidade e os desafios enfrentado por indígenas da etnia Warao no contexto das crises políticas, socioeconômicas e humanitárias que atingem a Venezuela, a consequente migração deste povo para o Brasil e sua fixação em cidades como Belém. Os resultados  evidenciam a necessidade urgente de ampliação e qualificação das políticas públicas voltadas para os povos migrantes em situação de vulnerabilidade, de modo que seja garantido além do acesso aos serviços de saúde, o respeito à identidade cultural e à autonomia dos povos tradicionais como elementos indissociáveis da sua saúde física e mental.

O trabalho é mais um produto relevante do LEBIOS e das pesquisas desenvolvidas no âmbito dos Programas de Pós Graduação em Antropologia (PPGA/UFPA) e em Saúde, Ambiente e Sociedade na Amazônia (PPGSAS/UFPA) - atualmente Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva na Amazônia  (PPGSCA) - e tem grande potencial para informar gestores e formuladores de políticas públicas de diferentes áreas.

Parabéns aos autores por esta importante e necessária contribuição!

Resumo

Impulsionados por múltiplos fatores econômicos, políticos e ambientais, os processos migratórios têm marcado a história de diversos países. A crise na Venezuela vem impactando de forma significativa na subsistência de sua população, entre estes os indígenas da etnia Warao, que, diante do cenário de instabilidade, tem intensificado o deslocamento para os países fronteiriços, especialmente o Brasil, abrigando-se nas cidades como Pacaraima e Belém. As repercussões desta transição refletem negativamente sobre a saúde desses indivíduos em situação de vulnerabilidade, especialmente em relação com a alimentação e a nutrição. No âmbito de uma revisão narrativa da literatura, este estudo discute o processo migratório e os determinantes de saúde dos imigrantes Warao e apresenta um estudo de caso que descreve a situação de saúde e nutrição de uma amostra de indígenas abrigados em Belém, Pará, com base em informações obtidas de um relatório proveniente de uma ação estratégica de saúde realizada pela Fundação Papa João XXIII (FUNPAPA). Segundo os resultados, os Warao têm diferentes níveis de insegurança alimentar e risco nutricional: 83,3% dos homens e 60% das mulheres apresentam sobrepeso ou obesidade, enquanto aproximadamente 50% das crianças de 0 a 9 anos de idade, assim como parte dos jovens, mostram atraso de crescimento. Este estudo reforça o contexto de vulnerabilidade da população Warao nesta área urbana, bem como a necessidade de construir políticas públicas e uma oferta de serviços mais adequados, tanto em nível local quanto nacional.

Palavras-chave: povos indígenas, venezuelanos, deslocamento, determinantes de saúde, insegurança alimentar

O artigo completo está disponível através do link: https://revistas.unal.edu.co/index.php/

Boa leitura.





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Notícias Recentes Sobre Paleoantropologia

Nota de Falecimento

Cinco Provas da Evolução das Espécies